O carro rosado
Então um dia meu pai veio com uma cera mágica que tirava o os riscos e dava brilho no carro, como sempre o preguiçoso me ordenou a lavar e encerar o carro, mas eu não reclamei não. Tirei o carro da garagem e o lavei como se fosse o meu filho, deixei o bichinho tão limpo que eu poderia usar como espelho. A cera era vermelha escuro, era a primeira vez que eu via uma cera automotiva desta cor, mas como era a super cera mágica que tirava risco e dava um brilho intenso eu apliquei ela em todo o carro. Ao tentar retirar a cera eu percebi que o negocio não havia dado certo, eu esfregava e esfregava a flanela e o carro que era branco estava rosa, na hora pensei que era apenas num ponto mas o carro ficou inteiro rosado. Fiquei desesperado “puta que o pariu, fudi com o carro do meu pai!!!”
Então lavei o carro com muita água e sabão por mais duas vezes e nada, lavei uma terceira vez e com querosene e nada... o carro teimava em ficar rosa.
Nesse ponto já estava semi-desesperado pela bronca que iria levar de meu pai, então levado mais pelo desespero que pela razão eu decidi levar até um lava-rápido que tinha a 15 quadras de casa. Entrei no carro, liguei o motor e sentei o pé na tábua para ir e voltar antes que o meu pai acordasse e notasse a falta do carro.
Passei zunindo pelas ruas sem saber a velocidade que estava, afinal eu não tinha noção de velocidade e não sabia ver direito o velocímetro, na realidade eu só sabia tirar e colocar o carro na garagem. Próximo de chegar ao lava-rápido virei a esquina rápido de mais e perdi o controle do carro que deu um cavalinho de pau e bateu com tudo a roda traseira no meio fio. A roda ficou torta, com isso desisti de ir para o lava-rápido e voltei com o carro capengando para casa! Escondi o carro na garagem e fiz questão de esquecer de tudo aquilo e se alguém perguntasse alguma coisa eu diria “não sei!”.
Meu pai passou o fim de semana sem olhar para o carro, mas na segunda feira quando ao ver o estrago o velho quase surtou, primeiro ele chamou a família toda para ver o estrago e perguntar se alguém sabia de algo, eu prontamente fingi estar espantado com o estrago e disse que não sabia de nada, tinha deixado o carro perfeito naquele dia.
Então o meu pai logo achou um culpado, o vizinho que ele odiava!!! Como os dois mal se falava meu pai só o culpou sem ir tirar satisfação (ele simplesmente se vingou, comprou umas latas de spray e deu uma leve pichada no carro desse vizinho...), já o nosso carro teve que receber uma nova pintura já que a cera estragou a pintura totalmente (estragar não estragou, mas deixou rosa). Até hoje ninguém sabe que fui eu que fiz a cagada!!!
Minha primeira viagem de avião
O cadáver da menininha
“noite das calcinhas era quando os guris do condomínio saiam a noite para roubar calcinhas, suas vitimas sempre eram as mulheres mais bonitas do condomínio. Normalmente os moleques guardavam as calcinhas como um troféu (adolescente é tudo abobado)”
Busca pelo cachorro perdido
A bengala amaldiçoada
Festival de fim de ano
Cheguei a tentar discutir com a Ziraldina sobre a historia dos coelhinhos brancos, eu tentava o seguinte argumento: “Mas professora! Estamos quase no natal, coelhos brancos não tem nada a ver, a páscoa já passou a meses!!!” . Charopeta como sempre era, ela contra argumentava com o seguinte argumento: “Coelhos tem tudo a ver com o natal, bonitinhos, fofinhos e puros... coelhinhos brancos cantando canções natalinas tem tudo a ver sim!!! Alem do mais, sou eu que decido o que vocês vão fazer...”
Eu até poderia não fazer a apresentação, dar um perdido ou ficar doente no dia do festival de fim de ano, maassssssssss... minhas notas estavam penduradas, faltava alguns pontos para passar e aquela apresentação valia uma nota bônus, uma nota extra que se somaria com as notas dos trabalhos e das provas...
Não apenas eu, mas todos de nossa turma tentaram escapar do vexame publico, mas a irredutível Ziraldina não deu ouvidos a ninguém e continuou com a idéia da apresentação dos coelhinhos brancos. Em seus olhos eu via que aquela apresentação era um tipo de vingança, eu sabia das segundas intenções da professora de nos fazer passar vergonha, provavelmente era uma forma de se vinga da vez que enchemos a sala dela com bombinhas de fedor (a sala dela ficou inabitável por dois dias), ou pela vez que alguém colou chiclete no cabelo dela, ou pela vez que roubaram o gabarito da prova dela, ou pela vez que fizeram caricaturas dela e espalharam por todos os cantos do colégio, ou pela vez...
Não tento escapatória parti ao plano B, esperei ela no estacionamento e implorei por tudo que era mais sagrado no mundo que ela me deixasse no fundo da apresentação, que eu não agüentaria tanta vergonha, que eu morreria de ataque vexaminoso (quando se morre de tanto passar vexame), eu implorei tanto, mas tanto que ela cedeu aos meus argumentos e me prometeu que me colocaria atrás de todo mundo...
Tivemos duas semanas de ensaio, duas semanas decorando coreografia e decorando letras de musicas natalinas como “noite feliz” e “dingo bel”. Nos últimos dias ensaiamos com as nossas fantasias de coelhos, todos ficavam vermelhos de tanta vergonha ao colocar aquela fantasia, quem passava pela janela da sala parava para assistir e ficar tirando sarro, no segundo dia do ensaio com as fantasias tivemos que colocar uma cortina porque em todo ensaio formava uma mini platéia nas janelas da salas.
Enquanto eu entrava em depressão por causa da apresentação, minha mãe mal se continha de tanta ansiedade, ela contava os dias para ver seu filho vestido de coelho e cantando FELIZ NATAL... Todos os dias ela me perguntava como estava indo os ensaios e sempre dizia que havia convidado alguém para ir me ver (-.-‘) , dizia que iria até levar a filmadora e que a apresentação seria linda... (minha mãe sempre arrumava uma maneira de piorar a situação...)
Ultimo dia de ensaio terminava e a professora nos cedeu a fantasia para que a levássemos para casa, para lavar e colocar algum enfeite, caso quisesse. Em casa dei a fantasia para minha mãe apenas lavar, mas ela decidiu colocar uma gravatinha na fantasia, eu logo disse NÃO, e ela SIM, e eu NÃO, e ela SIM, e eu NÃO e ela OU GRAVATINHA OU FICA SEM MESADA!!! Não tive outra escolhe se não optar pela gravatinha... sou um fudido mesmo...
No dia da apresentação acordei mais cedo, tomei banho, arrumei o cabelo e pedi para minha mãe a fantasia, ela fez uma cara de preocupada e me trouxe um pano rosa claro:
- Cade a fantasia mãe?
- Está aqui! (e mostrou a fantasia que se encontrava rosa)
- mas está rosa!!!!! Como vou usar isso?
- Bommm, é que alguém colocou uma camisa vermelha no meio das roupas brancas, daí tudo que estava na maquina ficou manchado de rosa, sua fantasia ficou muito manchada, daíiíiíí, já que não teria como arrumar, lavei a sua fantasia novamente com a camisa vermelha, para ela ficar com uma cor mais uniforme!!!!!! Está vendo que a barriga é branca??? Joguei Quiboa na barriga, daí ficou uma fantasia mais real...
- Mas, mas mas, porque tu não jogou Quiboa em tudo, para deixar tudo branco????
- Porque achei que ficaria melhor assim...
- Quueeeeeeeeeeeeeeee????????
- Ou usa essa fantasia ou não passa de ano muleque...
Fui cabisbaixo para escola, as vezes parava no meio do caminho e olhava para a sacola para ver se aquele estrago era real, estava quase chorando quando tive aquele estalo: “a fantasia está uma merda, a professora não vai me deixar participar da apresentação e vai ter que me dar alguma nota, nem que seja pelo meu esforço, mas ela vai ter que dar, afinal a culpa não foi minha e sim de minha mãe...”.
Fiquei mais contente do que nunca, com aquele sorriso de orelha a orelha fui correndo para escola. Logo que cheguei na escolha, fui direto dar as péssimas noticias a professora...
- Professora veja que tragédia que aconteceu, olha o que minha mãe fez com a minha fantasia...
- Meu Deus!!! (disse a professora com uma cara de susto)
- Não vou poder mais participar da apresentação, agora que a fantasia está estragada...
- Não não não não, senhor João Paulo, a fantasia ficou magnífica, tem até barriguinha... ficou muito linda, o único problema é que tu não pode ficar no fundo se não vai destonar o grupo, tu via ficar na frente como destaque! Pense nisso como um solo...
- Como??? Não professora, não posso, vão rir de mim, vou passar muita vergonha...
Fiquei nessa discussão com ela durante uma meia hora e ela não cedeu, disse que eu teria que participar e teria que ficar na frente.
Meu mundo desabou, entrei em semi desespero e como um boi fiquei esperando a hora do meu abate publico. FFFFUUUUUUUUUUUU...
O pessoal de minha turma se juntou na sala 36 para se preparar, a sala ficava bem perto do palco, dava para ver as outras apresentações pela janela e a gente só sairia de lá quando chegasse a nossa vez (para diminuir o tempo de tortura). De lá pudemos ver a apresentação da turma 8°B, eles iriam se apresentar antes da gente e sua apresentação prometia, nos ensaios tivemos uma breve idéia do que eles iriam fazer.
Eles dançariam uma musica chamada “Explosão Tchacabum” , para você que não conhece essa maledeta musica, só clicar aqui http://www.youtube.com/watch?v=_3a7x9TUWU8 que tu vai ver um vídeo da musica, se tu curtir uma tortura musical, assista até o final. A idéia deles era fazer uma mini explosão atrás do palco na primeira vez que a palavra explosão aparecesse na musica, o ensaio foi muito legal (apesar de odiar axé eu adoro explosões), tiveram duas explosões pequenas, uma no começo e uma no final da musica...
Na apresentação algo saiu errado, da sala 36 nós vimos o pessoal se preparando e começando a musica, no entanto a explosão foi muito maior do que nos ensaios, mas muito maior mesmo, grande o suficiente para colocar fogo no palco, nos dançarinos e em parte da platéia... Ficamos assustados e imóveis, apenas observando toda cena de dentro da sala...
A explosão não matou ninguém mas feriu bastante gente, só matou o festival mesmo, que acabou logo após o acidente, os únicos que ficaram felizes com a situação foi o pessoal da minha turma que se livrou do vexame publico...
No final das contas ganhamos pontos extras pelo nosso esforço, eu ganhei um pouco mais por causa da fantasia tunada pela minha mãe... o suficiente para passar de ano.
Dia de surto
Sogra aproveitadora
Quando comecei a namorar a Vivi, logo percebi que havia ganhado na loteria, porque a mãe dela (teoricamente a minha sogra) era muito show, um amor de sogra que nos deixava namorar, fazia comidas ótimas, não implicava com nada e isso durou até o dia... que levei as duas no shopping para passear, ver vitrines, tomar sorvete, andar na escada rolante... Todas aquelas coisas chatas que se faz no shopping...
Minha sogra sempre dava umas empacadas nas lojas de sapatos, na ultima loja ela namorou muito um tênis, olhou, olhou, olhou, apontou para o tênis e olhou para mim com aquela cara de pidunxa e disse “preciso tanto desse tênis, estou fazendo ginástica e o meu tênis esta velho e me machucando preciso de um novo...”...
Disse isso de uma forma diferente da comum, com aquele olhar de “SE VOCÊ NÃO ME DER ESSA MERDA DESSE TENIS, EU TRANFORMO A TUA VIDA NUM INFERNO!!!”... Logo percebi que a velha era meio interesseira! Após aquela frase pedunsquexa (frase de gente pedunxa) eu olhei para ela e disse “ Que interessante!!!! ”. Realmente fiquei interessado de dar o tênis para ela, afinal ela era uma ótima sogra e eu queria agrada-la, mas estava sem dinheiro e ainda tinha que comprar um presente de aniversario para a minha namorada... final do mês estou sempre liso...
Fui visitar a minha namorada no dia se seu aniversario, quando cheguei com o pacote de presente, a minha sogra foi quem ficou mais feliz e com os olhinhos mais brilhantes...
- É para mim??? (perguntou a minha sogra)
- Não é o presente de aniversario da Vivi!
Ela logo fechou a cara e ficou rabugenta o dia inteiro. Não apenas por aquele dia, mas a rabugentisse continuou durante os dias que se seguiram, aquela sogra que me cumprimentada com sorrisos e abraços, passou a não olhar mais para a minha cara, não fazia mais comida para a gente e reclamava do nosso relacionamento. Vendo que não tinha escapatória, peguei um empréstimo com um amigo e dei não apenas o tênis mas também uma roupa e agasalho de ginástica.
Ficou hiper contente de ter recebido o presente, me abraçou, me beijou (velha interesseiraaaa), provou a roupa e o tênis e disse:
- Nossa você comprou tudo no tamanho exato, nossa, nenhum genro antes comprou uma roupa no tamanho tão exato quanto essa (uuuuuuiiiiiiiiiiiiiiiiii, pensei comigo mesmo).
Nos dias que se seguiram, voltou ao que era, mimando o jovem casal e mais sorridente. Até que um dia novamente ela fez aquela cara de pedunxa e disse “quero tanto aquele perfume que aquela tal atriz usa...!!!”. Nisso até a Vivi me cutucou, “bem que você poderia dar esse tal perfume para ela né” . A partir daí, comecei a perceber que estava metido em um complô para arrancar mimos de minha pessoa. Até que levei de boa, porque afinal que mulher não é interesseira???? (hi hi hi, piada machista né?)
O tempo foi passando e mais mimos foram disfarçadamente pedidos, quando eu demorava para dar o presente ou fazer o que ela me pedia, aquela velha carrancuda, crica e ranzinza voltava e retornava ao estado de meiguice quando ganhava o presente. Com o tempo presentes não bastavam, eu tinha que cumprir favores domésticos, concertar uma tomada, arrumar um liquidificador, trocar telha...
Teve um feriado que fui bem cedo passar o dia com a Vivi, logo que cheguei minha sogra veio com aquela cara de pidunxa me pedindo para pintar a porta da cozinha. Não tendo escapatória, fui rastejando pintar a maldita porta (e acabei manchando a minha calça novinha...), depois da porta me pediram ajuda para arrastar uns moveis para limpar e para mudar alguns de lugar, depois fui concertar a casa do cachorro...
No final do dia me deparo com a seguinte cena, “eu” no final do dia escancalhado lavando a calçada enquanto as duas tomavam limonada na sombra da varanda... Fiquei de cara comigo mesmo, comecei a pensar se valia a pena todo aquele trabalho pela Vivi, e cheguei a conclusão que não...
Sabia que seria difícil de terminar aquele relacionamento, então apelei!!! Armei uma cena de traição com uma amiga e não deu outra, quando ela viu a suposta traição... ficou simplesmente doida, armou um barraco e me deu um belo de um pé na bunda com direito a lição de moral....
"Posso ter perdido uma namorada, mas elas perderam um empregado!!!!"
Câncer do meu avô
Estávamos muito preocupados com o meu avô e ficamos mais preocupados ainda quando o meu pai “pessimista” disse “- Para mim! Isso é câncer...”
Preocupadíssimos, tentamos arrastar o meu avô para um medico, mas o velho tinha a maior nóia contra medico (puxei isso dele), ele simplesmente não quis ir ao medico de forma alguma, antes de qualquer visita ao medico, ele queria tentar seus próprios “métodos caseiros de cura!!!”.
Ele passou terra com sal nas manchas, capim com mel, sal grosso com pimenta, tomou sol besuntado com óleo de cozinha e banha de porco, urina de gato, pó de casco de camelo (não me pergunte aonde ele arrumou isso, porque eu também não sei!), chá de choradeira, entre outros métodos caseiros de cura.
Depois de tentar todas as suas soluções caseiras e de nenhuma funcionar, meus pais praticamente arrastaram o velhinho para o medico. No medico, mostraram as manchas e contaram sobre a desconfiança de câncer ou algo parecido. O doutor analisou as manchas de perto, foi até o armário dele e pegou um algodão, molhou esse algodão e colocou um pouco de sabão nele e passou isso em cima de umas das manchas, que sumiu como mágica.
- Seguinte! Coloque ele para tomar um bom banho, que essas machas de “sujeira” vão sumir.
Meus pais não sabiam aonde enfiar a cara de tanta vergonha, em casa deram um hiper banho em meu avô, com direito a esponja e Bombril...
Motoboy
Não demorou muito, após uma semana costurando o transito da cidade, um infeliz com uma caranga “nova”, ressalto, “tão nova que nem placa tinha”, e importada.... deu uma bela fechada nele, quase o fez cair, ele não se espatifou no chão por pura sorte... após o susto, seu pensamento era apenas um: “carro novo, importado, zerinho, eh nesse que eu vou meter a bota”.
Não deu outra, ele acelerou a moto, zunindo e com o pé levantado ele atacou o carro. Disse que foi lindo ver o retrovisor voando e o cara buzinando atrás dele. Todo feliz ele acelerou mais ainda para escapar da encrenca e para terminar suas entregas. Final do dia, feliz da vida ele chegou na empresa e acabou dando de cara com o patão olhando para “seu novo carro com o retrovisor quebrado”. O final da historia você já deve imaginar...









