Compras com o Mão de vaca

Sempre achei meu patrão um tremendo mão de vaca, o cara economizava em tudo, em tudo mesmo! Ele chegava ao cumulo de escrever recados e lembretes em suas mãos e braços, só para não gastar papel, era comum o ver desfilando pela empresa com rabiscos até no cotovelo por conta dessa mania.

Mas só percebi o tamanho de sua sovinice, quando o acompanhei ao super mercado...
Estava em minha mesa literalmente boiando, já havia adiantado todo meu serviço do dia inteiro e não tinha nada para fazer, por isso fui a vitima perfeita na escolha do patrão sovina:

- João, levante rapaz, você vai ao mercado comigo. (disse o patrão sem parar de andar)
- Mas por q...
- Nada de mais, nem porque, nem por onde! Você está vadiando e eu odeio carregar sacolas, venha comigo agora. (agora ele já estava no final do corredor e indo ao estacionamento).

O Patrão só pegava o que era mais barato e evitava gastar com coisas desnecessárias, ele chegava ao exagero de descascar as cabeças de alho antes de colocar no saquinho: “ Não vou pagar por aquilo que eu não vou comer, essa casca, esse talo, isso e aquilo só aumenta o peso na balança, para que eu vou pagar por isso (ele mostrou as cascas do alho) se eu não vou comer? ”

Nas sardinhas ele quis me ensinar a ser sovina:

- Olha filho! Preste atenção nessa grande sacada. Está vendo essa sardinha? Olhe o prazo de validade, já venceu a dois dias, então eu levo para casa abro e como, depois eu volto ao mercado dizendo que abri a sardinha e senti um cheiro estranho, ao conferir a validade percebi que havia comprado um produto vencido. Sabe o que eles fazem então? Eles te dão uma outra lata de sardinha e você não paga nada por isso...
- Mas ela isso já deve estar estragado, você não pode comer isso...
- Bobagem, esse negocio de validade é bobagem... Se tiver algum “cheirinho” estranho, é só ferver que mata qualquer bicho...

Na hora de embalar as compras recebi outra lição de sovinice, ele praticamente colocava um produto por sacola, o cara deixou aquele caixa sem sacola. “Olha João, essas sacolas são ótimos sacos de lixo e ótimas para guardar coisas, então pegue o máximo que puder, afinal é de graça!”, disse ele com toda sua sabedoria e conhecimento em ser sovina...


Já havia escutado algumas historias sobre a sovinice dele, mas nada chegou a esse extremo, do que adianta ter dinheiro se você come sardinha estragada?

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Me pegue se puder

Andando pelo condômino tranquilamente quando me deparo com um homem furioso (com direito a careta, pele vermelha e veia saltando da testa), achei estranho o estado do infeliz mas não dei bola... afinal de contas cada loco na sua. Mas não deu para passar desapercebido, me agarrou pela camisa e gritou “Eu sei o que tu fez na noite passada”.

“ Explicando a historia, esse homem raivoso era marido da Dona Armelinda (não se deixe enganar pelo nome, dona Armelinda era a mulher mais gostosa e bonita do condominio), na noite passada eu tive um trabalho imenso para roubar as calcinhas da Armelinda, tive que roubar a escada do condomínio para alcançar o varal do apartamento dela e praticamente subornar o vigia noturno... Tudo isso no intuito de provar para meus amigos que eu era foda...”

Olhei para a situação tentando arrumar saia, era cara muito alto e forte prestes a bater numa criança indefesa que roubou as calcinhas de sua mulher gostosona. Logo achei uma brecha e escapei das mãos do canalha, sai correndo e gritando “Me pegue se puder seu viado!!!!”. Falei merda só porque tinha duas garotas olhando a situação, eu precisava mostrar que eu era o cara, mas por dentro eu estava me cagando de medo e pensando apenas em sair correndo...

Corri o mais rápido que eu podia, mas não era rápido o suficiente para tomar distancia do troglodita que chegava mais perto de mim a cada passo. Para o azar dele eu já estava com um plano armado, precisava distanciar e levar o troglodita para uma pracinha que ficava a 5 quadras de casa. Corrida em zig-zag, sempre procurando passar por obstáculos para tentar atrasar o troglodita. Eu consegui chegar perto da praça mas não no lugar que eu queria, acabei tropeçando no meio fio e o Troglodita me pegou. Estava prevendo minha morte, cheguei a fechar os olhos e a rezar. Quando esse tipo de situação acontece tudo passa mais devagar e a gente pensa em muita coisa, o estranho é que demorei muito tempo para sentir dor e na realidade nem cheguei a sentir dor. Lentamente abri os olhos e vi a cara de horrorizado do Troglodita, dei graças a Deus e a todos os santos porque as minhas preces foram atendidas e o Troglodita “viu aquilo que eu queria que ele visse naquele momento”, entendeu? Não? Vou explicar...

“O Corno é sempre o ultimo a saber que é corno e no caso do troglodita não era diferente, já que a Dona Armelinda ia todo dia na praça trair o marido com o dono da banca de jornal... Como ela fazia isso em lugar publico, todos do bairro sabiam da traição menos o Corno Troglodita que trabalhava nesse horário (não sei porque ele estava me enchendo o saco naquela hora)....”


A cara dele mudou de “corno recém descoberto” para “corno furioso”, me largou e saiu voando para cima do casal que estava aos beijos no banco da praça e ali começou uma porradaria sem precedentes na historia daquela pracinha e eu vi tudo de camarote, em cima da mesa que os velhinhos jogavam xadrez. Os dois eram fortes e lutavam bem, era tanta porrada que sobrou um soco na cara até para Dona Armelinda. A porradaria só parou com a chegada da policia. Fiquei feliz por ter escapado ileso (já que era eu que iria apanhar), mas fiquei triste de perder a vizinha mais bonita do condomínio.

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Uma Arte da Infância

 Contribuição da leitora Tatiane

Uma vez, eu tinha 6 anos de idade e lembro como se fosse hoje... Eu sempre ficava na casa da minha avó e na época ela estava reformando a casa, e colocando piso no banheiro, ou seja, não podia entrar no banheiro!
E naquela hora que o pedreiro estava lá me deu vontade de ir ao banheiro. Minha avó estava distraída no quarto. Então eu estava brincando com o armário e tinha um monte de panelas jogadas pela cozinha, eu peguei uma delas (bem a panelinha que meu tio costumava levar marmita dele pro serviço) e fui lá no quintal bem no cantinho e fiz o número dois ;x
Criança, inocente, só faz arte (e como eu era muito arteira), peguei e fui correndo mostra pra minha vó:

- Olha vó, o que eu fiz *-* (querendo que ela ficasse feliz porque eu não enchi o saco dela pra ela ir no banheiro comigo, quis mostrar que eu fiz tudo sozinha.)

- Menina não acredito, você fez cocô na panela do seu tio :O

- Ah vó, o cara ta no banheiro... Eu tava com vontade não tinha outro lugar ;x

- Por que você não me falou que eu te levava na vizinha, olha aqui, e agora menina ele vai ficar bravo, sua arteira!

HAUAHUAHAUAHUAHAUAHUAHAUAUAHAUAH eu choro de rir só de lembrar da cena, sorte que ela não me bateu! Depois ela riu muito e contou pra todo mundo, e todos ficaram me zuando, mas foi tão inocente, tão sem intenções... Minha infância é marcada por muitas artes que eu aprontei, eu deixava minha avó descabelada, coitada! Mas valeu a pena, eu amo ela. Essa é uma das artes marcantes da minha infância!

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Prego no pé

Em época de pinhão (uma semente comestível que dá nos pinheiros) eu e meus amigos nos enfiávamos em matagais para buscar pinhão, o mato era longe (quase 1 hora de bicicleta), mas como sempre andávamos em grupo nem víamos o tempo passar.
Teve uma vez que fui buscar pinhão com 3 amigos (Carlos, Lucas e Pitaco) e acabei entrando numa fria...

Já fazia uns 30 minutos que estávamos andando pelo mato e já tínhamos catado muito pinhão, então escutamos um grito:
“AI MEU DEUS!!! AAHHHHH!!! MEU PÉÉÉÉ!!!”
Olhei para o lado e vi o Pitaco se retorcendo no chão e gritando como uma menininha:
- O que aconteceu cara ? (perguntei)
- Alguma coisa fincou no meu pé...
- Fica calmo e me deixa olhar.

Olhei e vi um prego enfiado na sola do sapato, o prego era bem grosso e parecia ser enorme. Imaginei que o prego deveria ter uns 10 cm e apenas 4 cm estavam para fora do sapato.

Primeiramente nos indagamos “ como esse infeliz conseguiu pisar num prego no meio do mato?” depois perguntamos se ele estava bem. Eu tentei tirar o prego mas eu puxava e puxava e o prego nem se movia (a cada puxão o Pitaco dava um berro). Como ele não conseguia nem ficar de pé, tivemos que carregar ele para sair dali. Cada um carregava o Marcio nas costas o quanto agüentava e depois passava para o próximo, fomos nos alternando e carregando o infeliz durante meia hora, até que demos conta que algo estava errado.

“ Estamos perdidos”

Levou mais uma meia hora para encontrarmos o caminho de saída do mato. Exaustos (e com dor de cabeça de tanto escutar o Pitaco reclamar e choramingar) chegamos onde escondíamos as bicicletas. Logo surgiu outro problema, o infeliz com o prego no pé não iria conseguir pedalar!
Depois de quebrar a cabeça pensando em maneiras de voltar para casa acabamos tendo uma boa ideia, colocamos o Marcio em cima da bicicleta, subimos em nossas bicicletas e cada um foi guiando sua bicicleta com uma mão e com a outra rebocava o Pitaco em sua bicicleta.

A mãe do Pitaco ficou desesperada, desmaiou e teve um ataque de nervosismo e depois o levou direto para o hospital.

Depois ficamos sabendo que a situação não era tão grave, apesar de ser grosso o prego não tinha nem 5 cm, o prego só fez um pequeno corte no pé (mal chegou a furar)... Ficamos frustrados por ter tido tanto trabalho com um infeliz que não estava nem debilitado...

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O caso do Jeep

Continuação do conto "Calota de Landau" enviado pelo leitor Marco Aurelio Peruchi

Início de 70, um agricultor do interior do estado teve uma das engrenagens do diferencial de seu Jeep quebrada e o carro ficu parado no meio de uma estrada de terra. Procurou a peça em todos os lugares possíveis sem sucesso. Informaram-lhe que provavelmente a Royal . Gastou um dia de viajem comendo poeira nas estradas de terra de então para chegar a Anápolis e foi até a Royal  auto peças. Sr Hélio disse ao cliente que tinha a peça e deu o preço, salgado como sempre. O cliente sem alternativa, mas sem o dinheiro todo para fazer o pagamento perguntou ao Sr. Hélio se podia pagar com cheque e explicou a situação, que estava vindo do interior e que não dispunha de todo o dinheiro no momento. Seu Hélio disse que não havia problema e que o cliente poderia fazer o cheque que ele ia buscar a peça no estoque. Chegando ao estoque Hélio retirou a peça da caixa e colocou no lugar outra de modelo diferente mas muito parecida e entregou ao cliente. Recebeu o cheque e o cliente voltou para casa satisfeito. Mais um dia de viajem de volta e chegando no local onde estava o carro percebe que a peça não dá certo. Outro dia de viajem para Anápolis a fim de trocar a peça. Chegando foi direto ao Seu Hélio: - Seu Hélio, a peça está errada... -Hô rapaz, me perdoe, olha aqui, o código está certo na caixa, a peça deve ter vindo trocada! Espera aí que vou pegar a correta. Trouxe a peça certa e entregou ao cliente, que gastou outro dia de viajem na volta, desta vez com a peça certa nas mãos, enquanto seu Hélio tinha certeza que não haveria problema no recebimento do cheque, mesmo porque neste meio tempo o mesmo já havia sido compensado....

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Cocota e Titica

No meu aniversario de 10 anos eu ganhei duas codornas de presente do meu avô (ele era muito criativo para dar presentes). De inicio não gostei do presente, mas com o tempo comecei a gostar dos bichinhos e dei o nome de Cocota e Titica para as duas codorninhas, criava as duas dentro de uma caixa que ficava em meu quarto.
Um belo dia! chego da escola e não encontro nenhuma das duas codornas na caixa. Logo armei uma força tarefa para procurar as codornas dentro de casa, procurei por todo canto e não encontrei nada. Continuei procurando até perceber que a porta da sala estava aberta, então logo fui procurar as codornas lá fora.
Procurei no bosque, dentro dos blocos, no parquinho, na garagem e nada de encontrar as codornas. Passando pelas churrasqueiras me deparo com o seu Heitor.
- E ae garoto! O que você está fazendo por aqui? (Perguntou o seu Heitor)
- Nada de mais e o senhor?
- Fazendo churrasco! Agora estou assando duas codornas que eu encontrei dando sopa no condomínio.
Na mesma hora meus olhos se encheram de lagrimas e eu fui correndo para casa, fiquei deprimido por mais de uma semana, foi um triste fim para as minhas codornas...

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Construindo um quarto

Meu patrão (um grande mão de vaca) decidiu construir um puxadinho por conta própria nos fundos da empresa para guardar cacarecos. Ele comprou todo o material necessário e para economizar ele decidiu usar mão de obra escrava para construir o quartinho ( traduzindo... ele iria pegar quem estivesse de bobeira no escritório e iria colocar para trabalhar ). Para minha sorte, estava muito ocupado no dia e não pude ajudar na construção (nunca fiquei tão feliz por estar entupido de trabalho).

Da janela que ficava do lado da minha mesa eu pude ver toda a cena. Primeiro construíram a base e as fundações, jogaram concreto no chão e colocaram tijolos em cima e assim já estava pronto o chão do quartinho (se você entende um pouco de construção você sabe que isto está errado).

Depois começaram a empilhar tijolos, descobri depois que aquilo era uma tentativa de fazer uma parede. A principio não deu muito certo, toda vez que a aquela pilha de tijolos (que eles chamavam de parede) ganhava certa altura, caia... Então teve um gênio que decidiu abanar a parede para que o concreto secasse mais rápido, então a situação porque o vento derrubava a parede!

Logo se formou uma cena muito patética porque três patetas se juntaram para fazer a parede, um empilhava os tijolos com cimento, o outro abanava para o concreto secar e um terceiro segurava a parede. Isso não deu certo e a parede continuou caindo...

Daí uma das faxineiras disse que parede se construía de baixo para cima e não de um lado para outro.
Nisso o negocio começou a dar certo, eles construíram e a parede não caia. No final do dia o quarto já estava quase pronto, só faltava um teto.

Meu patrão feliz da vida com tal façanha, quis mostrar o que ele e o pessoal do escritório haviam feito, a mulher dele foi uma das poucas pessoas que ousaram entrar ali (afinal as paredes estavam tortas e parecia que tudo ia cair). Lá dentro a mulher do patrão teve uma crise alérgica, espirrava sem parar, tais espirros ecoavam pelas paredes do pequeno quarto, num desses espirros o quarto inteiro veio abaixo.

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A CALOTA DO LANDAU

Para quem não sabe do que se trata faço um breve resumo, trata-se de uma auto peças famosa, que atualmente já não existe, mas que fez história em Anápolis e região.
Pertencia ao Sr. Hélio, comerciante astuto, e que possuía o maior estoque de peças para carros nacionais e importados, novos e antigos da região.
Conta-se que devido aos preços que praticava era a última opção dos compradores, mas seja a peça que fosse, se não encontrada em nenhum lugar, podia ir a Royal que tinha.
O Sr. Hélio ficou famoso não só pela Royal, mas pelas “passagens” que ainda hoje são contadas pelos comerciantes de peças da cidade.

Um dia, no final dos anos 70, chega a Royal o proprietário de um Landau procurando por uma calota. O Sr. Hélio olhou o modelo da calota do carro, que estava parado do outro lado da rua, e disse ao proprietário que tinha a peça, mas que precisava procurar no estoque que ficava no sub solo da loja e pediu ao comprador que esperasse alguns minutos.
O cliente se distraiu conversando com um funcionário da loja e olhando algumas peças em exposição.
Chegando ao estoque, o Helio percebeu que não tinha a referida calota e voltou para a loja para falar com o cliente. Percebendo a distração do sujeito, Helio não teve dúvida, atravessou a rua, retirou uma das calotas do outro lado e colocou-a na roda que estava faltando.
Voltou para a loja e disse ao cliente que já havia instalado a calota no carro. O cliente olhou para o carro e viu a calota no lugar, só não deu conta que a outra roda do carro que estava para o lado da calçada, e portanto fora de visão, tinha ficado “banguela”.
Pagou pela calota “nova” um preço absurdo, entrou no carro e foi embora.
Voltou no dia seguinte:
- Seu Hélio, o senhor não vai acreditar, perdi a calota do outro lado!
Seu Hélio:
- Hô rapaz, agora você deu azar, aquela que te vendi ontem era a última...

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É logo ali

  Historia enviada pela leitora do blog Emilyn

Há um tempo atrás, quando eu tinha uns 12 anos, fui para o sítio do meu avô. Nunca gostei muito de ir pra lá porque nunca tem muito que fazer . Mas enfim, uma das poucas coisas que se tinha pra fazer era dar passeios e conhecer cachoeiras. Não sei de onde veio a idéia, mas se reuniram várias pessoas da minha família e uns conhecidos para conhecer um sítio que estava pra vender, onde tinha uma cachoeira linnnnda (sítio é modo de dizer, era totalmente inacessível, um terreno no meio do nada) mas por falta de opção eu fui junto.

Primeira parte do passeio é chegar até as pessoas que sabem como chegar na cachoeira, tudo bem uns 20 minutos de carro sacolejando em estrada de chão, perfeito!

Chegamos a esses vizinhos que nos levariam por horas mata adentro de boa vontade só por amizade (pessoas no interior fazem cada coisa). Eles trabalhavam em uma roça que fica na metade do caminho então não seria muita coisa pra eles.

Começamos a caminhada e entramos na mata, até aí tudo bem, tinha uma trilha até que aceitável, pensei que o caminho seria todo fácil, a final eles tinham até uma criança de colo com eles (é, eles levaram a família toda!).

A princípio não marquei o tempo porque o caminho estava tranqüilo, mas passou sei lá, 1 hora e nada de cachoeira, e o caminho começou a ficar com mais obstáculos e comecei a me perguntar se o cara levando a criança de colo não estava cansado!

Foi ai que comecei a perguntar quanto faltava. E a resposta foi “é logo ali!”.

Agora me deixe explicar uma coisa, eu sou uma pessoa de cidade e gosto de tudo que tem na cidade, ruas movimentadas e barulhentas, shoppings, poluição e tudo mais e o mais importante, quando eu digo “é logo ali” eu quero dizer na próxima quadra ou, no máximo, duas quadras adiante!!!

Mais meia hora e chegamos a um campo aberto e inclinado, então fiquei sabendo que essa era a roça em que eles trabalhavam (sério, eles levavam uma hora e meia para ir trabalhar) e esse era o meio do caminho!!!

Depois disso o caminho piorou de vez. Trilha praticamente não existia, era mato mesmo, inclinado em um ângulo absurdo, algumas partes tivemos que descer sentados, fora quando não escorregávamos sentados, tinha muita lama.

E era sempre “é logo ali”.

Descemos quase uma hora (já estava ficando com uma certa preocupação com o caminho de volta) e finalmente chegamos a cachoeira!! Que não tinha nada de especial, não chovia há algumas semanas então não tinha muita água. Onde estávamos mal tinha uma queda d’água de 4 metros! Permanecemos apreciando a vista da cachoeira vazia por impressionantes 15 minutos. E começamos o caminho de volta.

Bom, é óbvio que não era só eu que estava preocupada com a volta, minha família toda é da cidade, não somos preparados para rápidos passeios de 5h (já que levamos uma 2 horas e meia para chegar, em nossa visão de pessoas da cidade deveríamos levar o mesmo tempo para voltar) então fomos informados que como para voltar temos que subir tudo que descemos (lembra que descemos sentados?) demoraria “um pouquinho mais”.

Agora sabe a definição distorcida de “logo ali”? “Um pouquinho mais” tem a mesma lógica!!

Eles então disseram que havia um atalho, e mais que depressa aceitamos o caminho alternativo.

Pegamos um caminho meio que na diagonal para evitar as partes íngremes, e lá se foram mais 2 horas de caminhada (ou escalada). Até que chegamos a um sítio abandonado, e eu pensei que havíamos chegado! Mas, não. Esse era o atalho, passar pelo terreno dos vizinhos, invadindo a propriedade alheia (já disse que gente do interior faz cada coisa!!) e não era uma propriedade só, passamos por umas três propriedades vazias até chegar na estrada. Finalmente a estrada! Ficamos todos felizes pelo primeiro sinal de civilização, a final se não tivéssemos mais forças para prosseguir eventualmente um carro iria passar. E então foram mais uns 40 minutos de “é na próxima curva” (que tem a mesma lógica de “é logo ali” e “um pouquinho mais”), juro que não vi nem um carro passar por nós. Sério, na àquela hora não me importei nem um pouco com quem estava carregando a criança esse tempo todo, mas refletindo mais tarde não lembro deles na parte da estrada...

Enfim, quando finalmente chegamos no carro, todos suados, sujos, cansados e com fome, pensei que nunca mais iria cair na furada de um passeio/ GPI (Grande Programa de Índio), é claro que eventualmente isso aconteceu de novo...

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Liquidação do Mappin

 Mais uma contribuição do leitor do blog Marco Aurelio Peruchi


Para quem não conhece, faço um breve relato do que foram as lojas Mappin em São Paulo.

O Mappin era uma loja de departamentos muito grande, que tinha além da Matriz na praça Ramos de Azevedo, filiais em outros 3 ou 4 pontos de São Paulo.

Foi de longe a mais completa e melhor loja de departamentos do Brasil. Ali encontrava-se de tudo, desde roupas a acessórios para carro, gêneros alimentícios, eletrodomésticos, eletro-eletronicos, enfim, podia-se comparar com a Harold’s inglesa, tanto em tamanho quanto em variedade.

Na década de 90 entrou em decadência, quase faliu, fechou, e foi comprado pelo grupo de supermercados Extra.

Era famoso por suas liquidações de final de ano, e as pessoas vinham de longe para comprar suas ofertas nestas épocas. Foi a primeira loja a fechar a meia noite todos os dias.

Era um prédio de 12 andares, e salvo engano, atualmente se transformou em mais uma loja do Extra.

Sinceramente tenho trauma de liquidações. Quando o Mappin do Shopping de Santo André fez sua primeira liquidação minha mãe achou que tinha que ir lá para comprar uns talheres para casa porque, segundo ela, estavam praticamente de graça. Eu, que detesto fila e abomino aglomeração de gente, tentei demove-la da idéia de ir porque já sabia que ia sobrar para eu leva-la, mas quando mãe põe uma coisa na cabeça nem o Papa consegue tirar. Na época eu tinha uma Puma Gtb, e para quem não conhece, o escapamento 6x2 passa bem embaixo dos pedais, e quando o carro esquenta frita os pés da gente e derrete a sola do sapato. No dia fatídico, coloquei minha mãe no carro e fui até o Mappin. Quando cheguei lá, o estacionamento era uma visão do inferno, tinha carro parado até na rua, e o estacionamento é gigante, são 3 andares de vagas. Bom, comecei a procurar vaga para estacionar a barca, subi e desci o estacionamento umas 10 vezes e nada, meus pés estavam pegando fogo e começou a bater o desespero. Por fim deixei minha mãe em uma porta de entrada e continuei em busca de vaga. Depois de muito procurar e com os calos cozinhando estacionei o carro em uma vaga para deficientes (afinal eu já estava mesmo com problemas de locomoção) e sai mancando do carro para não dar muito na vista. Aí foi outra tortura para encontrar minha mãe dentro do Mappin. Depois de uns 30 minutos encontrei ela em uma banca repleta de talheres de qualidade duvidosa e aparência horrível brigando com outras 300 pessoas que por certo tiveram a mesma idéia infeliz de ir ao Mappin naquele dia para comprar meia dúzia de garfos e facas. Terminada a epopéia da escolha dos talheres entramos em uma fila gigantesca para pagar. Eu já de saco cheio perdi literalmente a paciência e parti para o desabafo. Comecei a gritar

bem no meio da fila: - Vamos comprar minha gente, aproveitem a liquidação que o mundo vai acabar, se não comprar hoje vai ficar sem nada, é o juízo final! Quanto mais minha mãe pedia para eu ficar quieto mais eu gritava, e os maridos das mulheres que deviam estar na mesma situação que eu também começaram a se manifestar a meu favor. Foi uma gritaria coletiva, de um lado os maridos e filhos e do outro as mulheres pedindo pelo amor de Deus para eles ficarem quietos. Por fim, minha mãe desistiu da fila e dos talheres, me pegou pelo braço e me arrastou para fora do Mappin sob protesto veemente dos maridos e filhos que me apoiavam. Voltamos para casa e minha mãe acabou encontrando talheres melhores e mais baratos em uma lojinha perto de casa. Minha maior felicidade foi quando o Mappin faliu, mas a música não sai da minha cabeça e ainda hoje tenho pesadelos: Mappin, venha correndo Mappin, até meia noite Mappin, é a liquidação!

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