Por favor, mande sua historia!!!

Se você tem alguma historia interessante de humor, amor, tragédia, fato, delírio blábláblá etc... mande a para nos através do e-mail olhandoalua@pop.com.br ou a deixe ali nos comentários. Nos teremos o maior prazer em publica-la aqui no blog, não esqueça de deixar seu nome, nick ou site pessoal, para destinar a autoria da historia!!!

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Tirando leite de vaca


Eu e uns amigos (Carlos, Marcos e o Alexandre) estávamos passando férias em um hotel-fazenda bem isolado, não havia nada por perto, alem do casal de caseiros, havia apenas uma vaca, um boi, alguns porcos, varias galinhas, um rebanho de ovelhas, um dúzia de cavalos e vários patos. Era o que queríamos, ir a um lugar bem isolado para que ninguém pudesse incomodar nossas férias (nosso patrão tinha o costume de interromper nossas ferias), então num dia que estávamos completamente itediados começamos a discutir para ver quem de nos tinha o pé mais enfiado na terra:
- (Carlos) eu vou para a chácara de minha avó desde criança, eu ate brincava com as galinhas...
- (eu) bom as vezes eu ia a fazenda do meu tio, mas o maximo que eu fiz foi pescar e alimentar os porcos.
- (Marcos) sempre sai para pescar no meio do mato, mas alem disso eu no tenho nada de capial.
- (Alexandre) vocês são completamente urbanos, o mais pé-no-barro desse grupo sou eu, já passeis muitas férias na fazenda do meu tio, eu já andei de cavalo,matei e despenei galinha, já toquei gado, pesquei na beira do rio, já fui pegar ovo no galinheiro, já peguei bicho de pe e ate tirei leite de vaca!!!
- (eu) serio!!! Duvido, se você é mesmo tão fodão, vai lá e tira um pouco de leite de vaca para nos!!!
- (Marcos) boa idéia!!! Pega esse copo e vai buscar leite da própria vaca.
- (Alexandre) ta bom, eu topo o desafio, só me digam aonde esta a vaca!
- (marcos) ué!!! Deve estar lá no curral!!
O Alexandre pegou o copo e foi para o curral, daí passou-se um bom tempo e nada do Alexandre volta:
- (eu) poxa! Onde esse cara se meteu? Ele ta demorando muito!!!
- (Marcos) vai ver que ele quer mostrar que é o bom e ta tirando leite em pó da vaca!!!
- (Carlos) ou a vaca não foi com a cara feia dele, e não ta querendo colaborar...
Daí surge o Alexandre lá longe voltando com o copo de leite.
- (Carlos) parabéns! Eu não botava fé que você ia conseguir.
- (Alexandre) eu te disse que eu já tinha tirado leite da vaca.
- (Carlos) e o leite ta bom?
- (Alexandre) não sei, experimenta ai!!!
- (Marcos) me da aqui, me deixa experimentar (depois de um gole), nossa de que vaca você tirou esse leite? Ele ta azedo!!!
- (Alexandre) me da aqui deixa eu ver... nossa ta azedo mesmo
- (Carlos) me da aqui esse copo (daí ele deu um bicada no leite) nossa ta ruim mesmo, toma João experimenta.
Peguei o copo e experimentei e confirmei que o leite estava ruim mesmo, logo depois o Carlos nos informou de um fato muito curioso no mínimo:
- (Carlos) pera ai! Alexandre você tem certeza que você tirou leite da vaca?
- (Alexandre) claro que sim! Por que?
- (Carlos) É que o caseiro nos disse que só tinha uma vaca, e como você tirou leite de vaca se ela ta ali no pasto?
- (Alexandre) devo ter tirado leite de outra vaca.
- (Marcos) não eu também ouvi o caseiro dizer que só tinha uma vaca!!!
- (eu) mas se não foi da vaca que ele tirou o leite, de onde veio esse leite?
- (calos) beemmm (olhou ele com uma cara estranha) só pode ter sido do boi!!!
Quando todos perceberam o que realmente aconteceu, foi aquela correria de neguinho para todo lado passando mal e gorfando para todo canto, passamos mal por um bom tempo, para falar a verdade até hoje eu tenho receio de beber leite de vaca.

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Baba dos velhinhos


Meu avô participava de todos os passeios que a igreja realizava para os idosos, poderia ser um passeio ate a esquina da igreja que meu avô não perdia, nesses passeios iam apenas idosos, com exceção das chamadas “babás”, eram duas moças (netas da senhora que organizadora dos passeios) que iam para auxiliar os velhinhos.
Uma vez o meu avô e a dona Noeli (quem organizava os passeios) conseguiram uma coisa que eles queriam a tempos, um passeio ao jardim zoológico, claro que foi bem difícil, alem da ajuda da igreja, eles tiveram que pedir auxilio a prefeitura. Esse passeio era a realização de um sonho de meu avô, o de ir ao jardim zoológico, a vontade dele ir ao zôo era tanta, que dois messes antes já estava ansioso pelo passeio, e mal conseguia dormir, vendo esse entusiasmo dele eu resolvi conversar com meu avô a respeito do passeio e acabei tendo uma surpresa.
- Então vô você ta muito ansioso pelo passeio?
- E como! Não vejo a hora de ver o leão.
- E já esta tudo certo para o passeio?
- Ta sim, teve um pequeno probleminha, mas eu já resolvi.
- Que probleminha?
- As moças que vão com a gente não vão poder ir, elas vão fazer uma prova no colégio, mas eu já arrumei uma pessoa para ir com a gente.
- Quem?
- Você e o neto da Zoraide, aquele seu amigo o Marcelo!
- Como eu??? Mas eu nem me ofereci!!!
- Você não se ofereceu memo, fui eu memo que ofereci você!!!
- Que isso!!! E quando que você iria me contar essa historia?
- Qualquer dia desses eu ia te contar!!!
- E quem disse que eu vou???
- Eu!!! primeiro não custa nada você nos acompanhar, nos não vamos dar nenhum trabalho já que sabemos nos virar muito bem, segundo você não vai ter nenhum compromisso já que você vive coçando os bagulhos sem fazer nada e terceiro e ultimo, se você não for eu vou contar a sua mãe que você transformou a torradeira dela em aquecedor de acento!!!
Depois de tais apelos, não tive escolha senão a de ir acompanhar os velhinhos!!! No dia do passeio tive que acordar bem cedo, cerca de 4 da manha, para poder ir ajudar o meu avo e a dona Noeli nos preparativos da viagem. Quando eram 5 da manhã eu e meu avô já estávamos na igreja, e para minha surpresa não éramos os únicos, a maioria das pessoas que iam no passeio já estavam lá (o povo que gosta de acordar cedo esse de minha cidade), e logo que cheguei já arrumei o meu primeiro problema, como eu não era acostumado a acordar tão cedo, eu estava mais para zumbi que para humano, e por estar assim eu não reparei que tinha um senhor com as pernas todas esticadas (como se estivesse no cinema) no meu caminho, e sem querer eu tropecei nas pernas daquele senhor, antes que eu pudesse pedir desculpas o velhinho se levantou e começou a me dar bengaladas e a gritar comigo:
- Seu lazarento!!! Será que você não olha por onde anda seu cavalo!!! Presta mais atenção seu filho da *&%$*!!!
- Desculpa foi sem querer...
- Sem querer nada, foi de propósito mesmo!!!!!
Meu avô por sua parte fico observando a cena de longe e quase se matando de tanto rir, quando finalmente me livrei da muleta do velhinho, fui ate o meu avo e perguntei “pô vô! Porque você não me ajudou?” e com a maior cara de sacana o meu ele respondeu “você tava precisando acordar e nada melhor para acordar que umas boas bengaladas!”. Finalmente no salão de festas da igreja, fui designado para a fazer o chá, fui ate na cozinha e lá eu encontrei o Marcelo preparando os sanduíches, fui ate ele e perguntei:
- Como sua vó te convenceu de vir?
- Não foi ela, foi minha mãe!!! E você como te convenceram a vir de baba?
- Meu avo ameaçou contar o causo da torradeira para minha mãe.
- Qual deles? Aquele que a torradeira virou catapulta ou que a torradeira virou aquecedor de acento?
- Aquecedor de acento.
- Puxa ele pegou pesado dessa vez!!! Vai ser dura essa viagem, ate agora eu só recebi bronca.
- Bronca? Isso não é nada, perto das bengaladas que um velhinho acabou de me dar.
Papo vai e papo vem, e acabei falando para o Marcelo o seguinte “puxa se houvesse um jeito de acalma-los, eu teria certeza que a viagem seria mais tranqüila” e daí o Marcelo respondeu “acho que tem sim! Segura as pontas ai que eu vou ate na minha casa buscar um negocio!!!”. Fiquei lá fazendo o trabalho dele (sinceramente na hora eu pensei que aquilo era desculpara para escapar do trabalho), dez minutos depois ele voltou com um saquinho na mão.
- O que é isso que você trousse?
- Essa é a nossa salvação! Isso vai deixar os velhinhos calminhos e relaxados, quase andando nas nuvens!!!
- Me da isso (quando olhei para oque havia dentro, quase tive um ataque no coração). Caraio!!! Isso é maconha!!!
- É sim!!! E das boas!!!! Agente coloca isso na comida dos velhos e eles vão ficar calminhos calminhos...
- Será que você surto? Ou será que é burrice mórbida? Cara isso daí vi matar uma meia dúzia dos velhinhos, e se alguma coisa acontece vai sobrar para gente!
- Relaxa!!! Vai dar nada!!!
- Cara eu não vou dar isso para meu avô e nem para o outros, pega essa porcaria e a leve para longe!
Apesar de fazer uma cara feia, ele acabou concordando comigo e saiu para o pátio, então o meu avô me chamou, fui ate ele que irritado me perguntou “cadê o cha???” e eu respondi ”calma vô já to fazendo”, quando eu voltei, vi o Marcelo com a maior cara de tacho:
- E ai!!! Você se livrou daquela porcaria?
- Já dei fim nela sim!!!
Depois de alimentados, os velhinhos logo entraram no ônibus (para mim sobrou levar a bagagem deles, não sei por que, mas teve alguns que levaram malas abarrotadas para uma viagem de um dia) e saímos de viagem para a capital. No começo estava tudo bem, a viagem tava tranqüila, a estrada boa, os velhinhos cantavam animadamente todo tipo de musica, mas a musica que predominava era os hinos de igreja, mas depois de algum tempo (depois de quase duas horas de viagem) algo de estranho começou a acontecer na cantoria dos velhinhos, primeiro cada um começou a cantar num ritmo, enquanto um estava cantando o começo da musica outro já estava cantando o final, mas depois tudo piorou, quando alguns deles começaram a cantar musicas totalmente diferentes daquela que o coro estava cantando, então fui ate o final do ônibus, onde marcos estava, e fiz um comentário para ele:
- Nossa acho que alguns dos velhinhos surtaram!!!
- Deve ser o cansaço da viagem.
- Alias me responde uma coisa, onde você infiou aquele saco cheio de maconha?
- Bemmm!!! Ééééé!!!
- Desembucha logo!
- Eu despejei ele num lugar.
- Que lugar???
- Bem!!!! Dentro da caixa de caixinha de chá, daí eu misturei com o chá!!!
- Mas que car*&%$! Por isso uma senhora pergunto se era chá de erva cidreira, então quer dizer que você deu chá de maconha para os velhinhos...
- Eu não, foi você que fez o chá e foi você que serviu!!!
- Mas foi você que colocou escondido aquela porcaria dentro da caixa de chá!!!
- Claro, se não fosse desse jeito você não iria deixar eu colocasse o negocio lá dentro!!!
- Claro que não ia deixar! Olha só o efeito de sua cagada, os velhinhos estão surtando.
- Calma o efeito passa!!!
E pelo resto da viagem ficamos discutindo nos fundos do ônibus, enquanto os velhinhos surtavam. Quando finalmente chegamos ao zôo, logo percebi o grande problema que eu tinha nas mãos, alem de todos estarem falando juntos, tinha alguns velhinhos que não estavam muito bem, como por exemplo o senhor que estava com dificuldades de ficar em pe, o pobre coitado tava andando de pernas abertas que nem aqueles cowboys americanos.
Ao entrar no zôo, os velhinhos ficaram na maior folia ( como eu disse muitos deles nunca haviam estado num zôo antes), com a maior cautela fui conduzindo os velhinhos pelo zôo, no começo do passeio só havia pássaros e alguns macacos, mas logo chegamos numa das melhores atrações do zôo, o hipopótamo, das ultimas vezes que eu fui ao zôo eu não tinha visto o hipopótamo, já que ele estava submerso na água, mas naquele dia estávamos com sorte e ele estava fora da água, todos ficaram admirados com o aquele baita bicho, daí teve um senhor que empolgado falou “nossa como esse elefante é bonito!!!” daí uma senhora que estava ao lado perguntou ao mesmo “você tem certeza que é o elefante?” e o senhor respondeu ”claro que sim!!! Olha como esse bicho é gordo!!!”, daí todos bateram palmas ao “elefante” e continuamos o passeio.
Na jaula do jacaré os velhinhos deram uma parada para descansar, o espaço onde os jacarés ficavam era um grande lago cercado de uma faixa de terra coberta por grama e algumas arvores, todo esse espaço era cercado por uma pequena cerca de 1,5 m de altura, para falar a verdade era um lugar bem bonito, fiquei lá olhando dentro da jaula dos jacarés quando eu viro o rosto para o lado, vejo algo estranho dentro da jaula, um senhor só de samba-canção:
- Tio o que o senhor esta fazendo ai dentro??? (disse com um berro)
- Vou nadar naquele lago!!!
- Sai daí! Esse lugar ta cheio de jacaré!!!
- Que jacaré nada!!!
Apesar dos avisos, ele se recusou a nos ouvir (aquela atitude devia ser o efeito do chá do Marcelo), vendo que não tinha outra alternativa, eu e o Marcelo pulamos a sequinha e pegamos o velho a força, apesar de estarmos fazendo um favor para ele, enquanto o arrastávamos, o velhinho nos xingou com palavrões que eu nem sabia que existia, mas o pior foi colocar a roupa nele de volta, enquanto colocávamos a roupa (forçadamente) nele, ele nos dava bengaladas. Depois que uma senhora brigou com um lontra ( ela alegava que a lontra estava rindo dela) e de um senhor que queria pegar no rabo da onça (dizia ele que dava sorte), o passeio acabou bem.
Depois que acabou o passeio, nos dirigimos para uma lanchonete que ficava fora do zôo, para fazer um lanche para ir embora, eu estava aliviado em saber que tudo aquilo estava acabando, mas o que eu não sabia era que aquilo era apenas o começo. Quando chego na lanchonete do de cara com o motorista do ônibus torto de bêbado sentado numa mesa no fundo da lanchonete, cheguei perto dele e tentei falar com ele:
- E ai! Você ta bem cara?
- Hic!!! Eu to ótimo... por que?
- Porque você ta bêbado...
- Bêbado não!!! Só um pouco zonzo!!!
Daí ele tentou se levantar da cadeira, mas ele estava tão bêbado que não conseguiu, vendo a situação, fui ate o Marcelo, o puxei para um canto e falei com ele:
- cara o motorista encheu a cara enquanto estávamos dentro do zôo, ele entorno tanta pinga que mal para em pé!
- Ah!!! Para de zoar comigo! Acha que ele ia beber tanto sabendo que ele tem que nos levar para casa?
- Se não acredita vai lá ver...
O Marcelo teimou e foi falar com o motorista, chegou lá, trocou duas palavras com ele e volto branco com cara de “cachorro que caiu da mudança”.
- Cara era verdade mesmo, o cara ta mais bêbado que barata em copo de cerveja! E agora João o que vamos fazer?
- Sei lá!!! Se tivesse sozinho seria fácil, mas com esse monte de vovô e vovó chapados e um motorista bêbado fica difícil.
- Calma ai!!! tive uma idéia!!!
- É eu percebi logo que senti o cheiro de queimado!!!
- Serio!!! A gente coloca todo mundo dentro do ônibus e eu dirijo o ônibus de volta!!! Eu já vi o meu pai dirigir caminhão! É quase a mesma coisa!
- Mas você já dirigiu caminhão?
- Não!
- E carro?
- Não!
- Você pelo menos já andou de bicicleta?(respondi ironizando, mas fiquei surpreso com a resposta)
- Não! Mas eu já joguei muito vídeo game!!!
- Santa @#%&* como você quer dirigir um ônibus sem nunca ter nem andado de bicicleta?
- E você já dirigiu algo?
- Bem eu tenho o costume de dirigir o fusca do meu avo quando vou lá no sitio.
- Então você dirige!!!
- Eu??? Cara eu só dirigi um fusca em minha vida, como você quer que eu dirija um ônibus?
- É a mesma coisa, mas se você preferi a gente pode passar a noite aqui com esse monte de velho e espera o motorista melhora!!!
- Prefiro dirigir o ônibus!
- Mas e eu vou fazer o que?
- Você pode ficar rezando para que nada aconteça...
E foi assim mesmo que fizemos, embarcamos os velhinhos, depois carregamos o motorista para dentro do ônibus, depois que todos se sentaram, fui ate o lugar do motorista, fiz o sinal da cruz, sentei e dei a partida, marcos se sentou ao lado no banco do carona. Depois de tomar coragem, eu um menor de idade, que só havia dirigido um fusca, comecei a dirigir aquele baita ônibus, no começo o ônibus deu umas engasgadas, mas o Marcelo me deu uns toques que o pai dele o havia ensinado, o ônibus ratiou, mas aos trancos e barrancos nos começamos a viagem para casa. No começo eu me bati muito para dirigir o ônibus, principalmente dentro da cidade, subi nos meio-fios, andava no meio da pista, congestionei o transito etc... mas quando chegamos na rodovia, tudo ficou mais fácil, afinal na rodovia tem mais espaço e menos curvas, ate que na rodovia eu mandei bem.
A viagem que deveria durar 3 horas, durou 5 horas e meia, isso por eu estar dirigindo bem divagar, mas teve uma parte da viagem, que eu olhei para frente e vi a rodovia toda livre, não havia nenhum carro, sinceramente eu não ia perder essa oportunidade, comecei a acelerar o ônibus, e cheguei na incrível marca de 125 km/h, daí eu me senti o tal, o bonzão, mas a alegria durou pouco, quando eu avistei uma placa de curva eu já reduzi aos 60 km/h de novo.
Então depois de 5 horas e meia de viagem, nós chegamos finalmente em casa, quando chegamos na igreja havia varias pessoas nos esperando, estavam todos preocupados imaginando o pior por causa do atraso. Apesar do meu feito heróico de ter vindo dirigindo de volta o ônibus e ter trazido todos são e salvos, eu levei a maior bronca dos meus pais “você é doido moleque? Por que não ligou para cá para nos avisar? Se você tivesse ligado agente teria mandado alguém para socorrer vocês!”(dizia meus pais), sinceramente eu nem pensei em ligar pedindo ajuda, mas eu não tava com saco para esperar e também, eu não iria perder essa oportunidade de ter uma bela aventura (e se eu percebesse que não era capas de levar o ônibus para casa eu teria ligado logo no começo da viagem), o que eu fiz pode ter sido loucura e uma burrice, mas foi uma das melhores coisas que eu já fiz em minha vida, valeu a pena ter feito a viagem.

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Tio bira


Um dia o tio Bira resolveu levar os filhos e todos os sobrinhos dele para ver uma partida de futebol do time de nossa cidade, a gente iria ver a emocionante partida de futebol amador entre os times do Itapemirim Cupuapano e o seu arqui rival o time Senador Salgado.
O tio bira era um cara bem risonho, apesar dele só ter os dentes da frente (estilo Tiririca) ele vivia rindo e mostrando a banguela pra quem quisesse ver, outra característica do tio Bira, era a feiúra dele, mas mesmo sendo feio, o tio Bira era muito namorador, ele sempre tinha uma namorada nova ( você deve estar se perguntando “se ele era feio como ele conseguia sempre uma namorada nova?” simples o tio Bira tinha bastante dinheiro).
No dia do jogo, o tio Bira colocou todos os filhos e sobrinhos dele dentro de uma Kombi e levou todo mundo para ver o jogo, ao chegarmos fomos direto para o meio da arquibancada, logo o tio Bira comprou lanche e refrigerante para acalmar a criançada, logo depois os jogadores entraram em campo e começou a partida. O tio Bira tinha o costume de ficar irritando os técnicos e jogadores durante a partida ( por isso ele sempre sentava atrás do banco de reservas, já para ficar perto do técnico e irritar ele), para falar a verdade, essa era a parte mais legal do jogo, já que todos sempre davam umas belas gargalhadas, sempre que assistiam futebol perto do tio Bira, aquele jogo que estávamos assistindo foi um prato cheio para o tio Bira, já que só tinha perna-de-pau jogando.
A primeira vez que o tio bira se manifestou, foi logo no começo do jogo quando um pobre coitado, driblou dois jogadores mais o goleiro ficando sozinho de cara para o gol, mas daí ele deu um baita chute e a bola que tava indo para o gol, fez uma bela curva e passou a quase 2m do gol, esse lance foi o suficiente para o tio Bira pegar o seu megafone (que ele sempre levava para os jogos) e gritar:
- EITA PÉ DE GANCHO!!!
Todo o estádio ouviu (afinal era um estádio bem pequeno, se você contasse as pessoas na arquibancada, nos corredores, a beira do gramado, em cima das arvores deveria dar no maximo umas 2 mil pessoas ) e todo mundo riu do coitado do jogador, quando o tio Bira fazia isso ninguém se incomodava ( claro que tirando os jogadores e os técnicos) afinal o tio Bira era uma figura bem conhecida na cidade. Logo depois um jogador do itapemirim errou a pontaria invés ele acertar a bola ele acertou o chute no meio das pernas do jogador do Senador, daí o tio Bira pegou seu megafone e gritou: “- O AMIGO!!! VOCE CHUTOU AS BOLAS ERRADAS!!!”.
E assim o jogo continuou, não saia nenhum gol, porem os jogadores eram tão ruins, que o tio Bira teve motivos de sobra para tirar um sarro, o jogo estava tão ruim que tio Bira, ficou indignado com a péssima qualidade daquele jogo e resolveu protestar, ele ergueu a camisa (deixando amostra a grande pança branca e gelatinosa que ele tinha) colocou as mãos na barriga e começou a sacudir aquela enorme pança branca gelatinosa que ele possuía e começou a gritar para o todo mundo: “ –ai seus pernas-de-pau!!! Eu com essa enorme pança de pinga, jogo melhor que vocês tudo junto!!!”
Daí o técnico do Itapemirim acabou esgotando a paciência e gritou para o tio bira: “Ai pinguço!!! Já que voce é tão bom, vem provar!!!” daí o tio Bira respondeu sem pestanejar “-eu vou mesmo”.
Tio Bira desceu ate o gramado e discutiu mais um pouco com o técnico, colocou uma camisa (que ficou apertada
) e entrou no campo para jogar, quando o tio Bira entrou no em campo, o estádio todo gritou “aaeee... Bira, Bira, Bira, Bira...”.
Quando o jogo finalmente recomeçou, com o tio Bira de atacante, o jogo finalmente começou a ter emoção, na primeira vez que o tio Bira pegou na bola, ele acabou fazendo o passe do primeiro gol da partida, logo depois numa jogada incrível, o tio Bira driblou dois jogadores e fez um gol. No segundo tempo o tio Bira continuou mostrando que ele sabia jogar, logo no começo do segundo tempo ele deu um chapeuzinho no zagueiro e deu um baita chute de fora da área, pena que a bola bateu na trave mas foi o suficiente para erguer a torcida. E assim nesse pique o jogo terminou, com direito a três gols do tio Bira, depois desse dia, o tio Bira que já era conhecido na cidade, acabou virado atração de nossa cidade, o tio Bira também acabou ganhando a vaga de técnico do Itapemirim, e como técnico do Itapemirim o tio Bira foi motivo para muitas bagunças, mas essas bagunças já pertencem a outras historias...


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Dominando a fera (A historia de maria cavetão)


Maria Cavetão, era uma moça que estudou no meu colégio por um tempo, nesse tempo que ela fico no colégio (por volta de dois anos), ela foi o motivo de muitos causos que aconteceram naquele colégio e também ela foi o motivo principal de muitas rodas de conversa tanto de meninos quanto de meninas. Alem de ser a mais velha do colégio (23 aninhos) ela também era considerada a mais bonita do colégio, por onde ela passava a mulecada ficava babando, porem não era apenas os muleques que admiravam a beleza dela, ela era tão bonita que ate mesmo as outras moças do colégio a elogiavam (coisa muito difícil de acontecer entre mulheres!!!). No entanto, tanta beleza assim tinha que ter um defeito, e o defeito dela era o “gênio forte” que ela tinha, ela não tinha apenas a aparência de mal( cabelos negros, olhos penetrante, jaqueta de couro e botas pretas), ela era mal mesmo, tanto que ela ganhou esse sobre nome “Cavetão”, esse apelido foi dado por ela andar sempre com um baita canivete no bolso. Ela sempre usou o canivete nos meninos que se meteram a besta de darem em cima dela, e ela só poupava aqueles que ela ia com a cara ou que ela gostasse da cantada, no entanto quando ela não gostava da cantada ou que ela achava o cara um Zé-roela (o que quase sempre acontecia) ela tacava a porrada em cima do cara, oque era muito fácil já que ela era faixa preta no caratê, sabia muito bem judô e tava treinando boxe, e se por algum acaso o cara continuasse insistindo ou abusasse da sorte passando a mão nela, ela acabava usando o canivetão no cara, quando ela tirava o canivete para fora uns sempre saiam correndo, outro ficavam e saiam furados ou arranhados e teve um que foi até capado (quem mando chamar a fera de piranha, neh?)!!!
Quando eu ouvi a lenda da Maria Cavetão pela primeira vez eu não acreditei muito não, sempre diziam para mim que “se ela gostasse da cantada que um garoto aplicava nela, ela arrancava os documentos do cara com o canivete” e eu nunca acreditei ate o dia que eu via ela batendo num cara e no outro ela cortando outro rapas com o canivete. Por ter o receio de perder os meus badalos e por outros motivos eu não ousava olhar para ela ou muito menos chegar perto dela, eu me acostumei a ficar na minha, também eu era o único a seguir essa linha de raciocínio, apesar do perigo uns eram tão aficionados na mulher, que se arriscavam para tentar uma chance com ela, mas nenhum nunca conseguiu.
Um belo dia estava eu conversando com uns colegas de sala, quando a Maria Cavetão passou ao nosso lado olhando para nos, quando ela chegou mais perto eu notei que ela tava olhando não para o grupo e sim para mim, no mesmo estante eu congelei e não consegui me mexer, depois que ela passou um daqueles que estavam no grupo disse: “- cara você viu? A Maria Cavetão tava olhando para mim!!!” e logo outro respondeu “- que para você nada, ela tava olhando era para mim mesmo! Ou você acha que ela vai olhar para uma lumbriga desmunguelada como você?”, e assim começou uma disputa para decidir a pessoa que a Maria tava olhando, o único que ficou fora dessa disputa fui eu, torcendo para que estivesse enganado. No outro dia eu estava andando por um dos corredores do colégio bem tranqüilo, quando eu avisto a Maria vindo na minha frente, como ela tava vindo pelo lado direito, eu fui para o lado esquerdo, nesse momento ela também foi para o lado esquerdo, daí eu fui para a direita e ela foi para a direita também, por fim acabei dando de cara com ela, fuça com fuça, mesmo que eu tentasse desviar para passar pelo corredor, ela me acabava me cercando, caçado de tentar desviar dela, parei no meio do corredor, na frente dela olhei para os olhos dela e pensei: “bom eu passo por ela forçado e corro o risco de ser capado ou eu dou a meia volta e saio ileso? Afinal eu sou um homem ou um cagão??? Bom é melhor se um capado inteiro do que um homem sem um pedaço, e também tecnicamente se eu perder esse pedaço eu vou deixar de ser um homem inteiro!!!”, depois de pensar logicamente, eu dei uma ultima olhada nos olhos dela, dei meia volta e voltei por onde eu tinha vindo, porem mais tarde, quando estava comendo um lanche na cantina do colégio, eu me assusto ao ver a Maria se sentar ao meu lado no balcão, por um tempo fiquei acompanhando oque ela fazia pelo reflexo do espelho que cobria grande parte da parede de toda a cantina (essa idéia de colocar espelho por todo lado no colégio foi idéia do fresco do diretor Fred, ele dizia que era para trazer boas energias para os alunos, mas ele logo mudou de idéia quando em uma briga entre vários alunos, um deles decidiu quebrar o espelho e o transformar em arma, mas essa já é uma outra historia que um outro dia eu conto!!!), no começo pensei que ela estava ali só para comer mesmo, no entanto numa distração minha ela pegou e enfiou o dedo inteiro no meu sanduíche e falou para mim “come agora!!”, resolvi ficar quieto, paguei a tia da cantina e antes de poder sair dali, Maria me chamou com um “pisiu”, olhei para ela e vi ela tirando o canivete do bolso, o abriu e mostrou ele para mim, fiquei paralisado me cagando de medo mesmo, mas continuei olhando para ela, daí ela deu um sorriso de canto e para meu desespero ela trouxe o canivete bem devagar para perto de mim e o passou perto de meu pescoço, tão perto que deu ate para sentir o frio do aço em minha pele. Depois que cheguei em casa e fui ao meu quarto e passei a noite inteira pensando o que eu tinha feito para deixar a mulher nervosa, e por mais que pensasse, eu não encontrava nenhum motivo para eu ter enraivado a fera.
Você deve estar se perguntado “bate nos colegas ,entra no colégio armada e fere os alunos e mesmo assim ela nunca foi expulsa??? Ou banida do colégio???” bem vou responder sua curiosidade com apenas três palavras “ filha do diretor”!!! e por ser filha do diretor, ela recebeu no Maximo uma suspensão de dois dias, e por ser filha do diretor ela não tinha receio de fazer tudo aquilo que ela fazia, e por incrível que pareça o pai dela apoiava ela!
No estilo gato e rato, foi passando o tempo e a minha paciência, por mais que eu tentasse ficar longe dela ela sempre aparecia nos lugares que eu estava, e sempre arranjando um jeito de me irritar, no começo eu ate aturava e ficava quieto, mas depois que eu comecei a ficar irritado eu dei um “danesse” para a idéia de perder os meus bagos e comecei a encarar ela. Quando ela me cercava no corredor eu ia em frete, dava uma trombada nela e continuava o meu caminho e se ela enfiasse o dedo na minha comida eu dada um “danesse” para a higiene e continuava comendo etc...
Ate o dia que na cantina, ela se sentou no meu lado e começou a brincar com o canivete, por varias vezes ela passou aquela porcaria perto de mim, e quando ela ameaçou coloca-lo perto do meu pescoço, agarrei o braço dela, levantei e olhei bem na cara dela e disse: “- na próxima vez que você mostrar essa porcaria para mim, eu vou toma-la de você e enfiar na sua b****”. Ela me olhou com uma cara de brava (nessa hora cheguei a pensar que era o meu fim!!!) e disse “fico nervoso gatinho???”, e antes que eu pudesse dar o fora dali, ela me arrastou para um canto e começou a conversar comigo:
- qual é a sua, em gatinho?
- Como é?
- Você é o único nesse colégio que não fica babando por mim, você é o único que não me olha quando eu passo por perto, você não me da nenhuma cantada...
- E porque eu deveria babar por você???
- Por algum acaso você é gay?
- Gay não!!! Apenas odeio mulher egoísta e que se acha de mais!!!
Apesar de não estar aparentando, eu tava mesmo era me borrando de medo dela, já que nunca se pode prever os pensamentos de uma pessoa lesada da cabeça!!! No entanto eu não estava pronto para ouvir, aquilo que ela estava próxima a dizer. Depois de um tempo em silencio ela me olhou e disse “fica comigo gatinho!!!”, me surpreendi a ouvir aquilo, já que única coisa que eu pensava ate aquele momento era que ela tava afim de me matar, mas depois que eu em dei por mim, dois pensamentos invadiram a minha cabeça: “digo não para ela e saio correndo para longe dela e ganho fama de bunda mol, no entanto fico ileso ou digo sim, mostro a minha namorada nova para uns caras que eu não gosto, só para que eu possa me fazer de fodão para eles, e corro um grande risco de ser capado no futuro”. Depois de pensar racionalmente eu decidi encarar o risco de ficar com ela ( eu não iria perder essa oportunidade de me perfazer diante uns babacas por nada, mesmo que isso me custasse o meu bingolim ), mas antes de confirmar qualquer coisa eu decidi fazer um charminho:
- bom me deixa pesar um pouco... loca, arrogante, barraqueira, se acha e vive com um canivete no bolso, para o enfiar em qualquer pessoa em qualquer momento... bem eu acho não!!!
- Se preocupa não(disse ela) eu mudo as minhas atitudes e jogo o meu canivete fora!!!
Antes que eu pudesse dizer qualquer coisa, ela me agarrou e me deu um beijo daqueles de cinema. Esse ultimo causo aconteceu na sexta feira, daí marquei de ver ela já no sábado, daí no sábado depois de muito conversar com ela, acabei descobrindo que ela era muito gente boa, aquilo tudo era mesmo apenas pose e que por debaixo de toda aquela fama, ela era apenas uma mulher comum. Gostei tanto da experiência que marquei de vê-la no dia seguinte. Na semana seguinte, quando eu fui a aula, praticamente eu fui recebido como um rei pela mulecada do colégio (coisa que nunca avia acontecido, eu já fui recebido de varias formas “com tomate, vaias, pontapés, ódio, revolta, pedradas...” porem nunca com admiração), essa admiração toda não era apenas por eu esta namorando uma mulher mais velha, o maior motivo de tanto alvoroço era mesmo por eu estar junto com a lendária e intocável “Maria cavetão”, por um tempo eu fiquei me achando o tal, mas depois de um tempo ( que demorou a passar ) eu voltei ao meu normal, e sempre que me perguntavam como eu consegui domar a fera, eu sempre respondia “ charme natural e um pouco de porrada!”(claro que eu não ia contar a historia real e sem graça, sendo que ate mesmo a Maria apoiava contava essa versão distorcida que eu inventei), mas o melhor mesmo foi ver a cara de burro com prisão de ventre que algumas pessoas, que viviam tirando sarro de mim, ficaram ao me ver com a lendária Maria Cavetão.

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