O cadáver da menininha


Seu Pedro era o cara mais misterioso que morava no meu condomínio, era um cara muito fechado que tinha cara de defunto. Um dos zeladores do condômino afirmava que havia visto um caixão e uma coroa de flores dentro do apartamento do velho e uma diarista afirmava que ele guardava objetos satânicos dentro de casa. Apesar da sua cara cadavérica e de seu estranho cheiro de mofo, eu nunca acreditei nessas fofocas que corriam dentro do condomínio (morar em condômino é difícil, o pessoal que não tem nada para fazer vive futricando e fofocando).

Um dia entregando folhetos da festa junina do meu colégio acabei achando por acaso uma chave escondida atrás de um vaso de plantas, logo pensei na noite das calcinhas:

“noite das calcinhas era quando os guris do condomínio saiam a noite para roubar calcinhas, suas vitimas sempre eram as mulheres mais bonitas do condomínio. Normalmente os moleques guardavam as calcinhas como um troféu (adolescente é tudo abobado)”

Logo testei a chave no apartamento da loira do 46, mas a chave nem entrou na fechadura (que decepção), então curioso eu fui testando a chave em porta por porta daquele andar até descobrir a qual porta pertencia aquela chave, para minha surpresa ela abriu justamente a porta do seu Pedro. Quando percebi com quem estava mexendo logo devolvi a chave ao seu lugar e sai correndo dali.

No outro dia contei o acontecido para meus amigos que ficaram muito curiosos e logo armaram um plano para bisbilhotar o apartamento do seu Pedro e para meu azar, resolveram me levar junto com eles.

Ficamos três dias de campana na frente do bloco esperando o velho sair de casa, no quarto dia finalmente o velho resolveu sair e aparentava que não iria voltar tão cedo. Já era passado 11h da noite quando subimos as escadas, pegamos a chave escondida e abrimos a porta. Entramos um por um em fila indiana no apartamento.

Apesar do calor que fazia no dia o apartamento estava gélido, todos sentiram um arrepio na espinha ao entrar no apartamento do seu Pedro. Aquele lugar era muito sombrio, os moveis eram velhos e escuros, o tapete era escuro e a sala cheirava a velho embolorado. Andamos por todo apartamento, mechemos em algumas coisas e não vimos nada de extraordinário, só havia um quarto trancado que atiçou a nossa imaginação. Alguém teve a idéia de tentar destrancar aquela porta com as nossas chaves (vai que uma dá certo né?).

Ninguém achou que aquele plano iria dar certo mas mesmo assim testamos o plano. De um por um tentamos abrir a porta com as nossas chaves, uma das chaves do Rodrigo foi a única que deu algum resultado, entrava facilmente e mexia um pouco a fechadura. Depois de tentar bastante e com um pouco de jeitinho o Rodrigo finalmente consegui abrir a porta.

O cenário do quarto era bizarro, parecia muito com um velório, tinha uma coroa de flores, varias velas acessas e um caixão aberto que ficava no meio do quarto. Demorou muito para que o primeiro entrasse naquele quarto, afinal estavam todos estáticos com a cena, o primeiro acabou entrando porque foi empurrado por alguém e acabamos usando o coitado como escudo para entrar no quarto (vai que algum zumbi atacasse né? Deixaríamos ele ali e sairíamos correndo!!!!).

O quarto era realmente bizarro, as paredes eram infestadas de quadros de santos e de algumas fotos velhas, havia um altar no canto e alguns crucifixos espalhadas pelo quarto, para nosso espanto, dentro do caixão havia uma menininha de pele azulada e que cheirava a querosene e formol. Ficamos ali um tempo embasbacados com toda aquela cena, mas voltamos ao mundo real quando ouvimos um rangido de porta se abrindo, logo corremos para a sala e demos de cara com uma figura sombria de olhos brilhantes parada na porta. O vulto era do velho Pedro que havia voltado, ele logo correu para a cozinha e pegou uma faca, isso nos deu tempo suficiente para sair correndo a procura de ajuda. A gente acabou se escondendo na portaria do condomino, o porteiro estava preste a expulsar a gente dali quando o velho começou a gritar e a esfaquear a porta.

O velho só parou de gritar e bater na porta com a chegada da policia. Depois de ouvir os dois lados os policiais foram investigar o caso e acabaram descobrindo que o velho Pedro era foragido da policia, que no passado ele matou parte de sua família por herança e etc... descobriram também mais duas ossadas dentro de sacos de lixo escondidas no mesmo quarto onde havia o caixão. O velho foi preso e morreu na prisão, até hoje o antigo apartamento do seu Pedro continua vazio...

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Busca pelo cachorro perdido

Dona Leonor havia perdido seu cachorrinho de estimação e estava oferecendo uma boa recompensa para quem achasse o seu cachorro. Eu e meus amigos ficamos de olho na recompensa, era dinheiro mais que o suficiente para reformar o nosso clubinho. Logo organizamos uma força tarefa para buscar o animalzinho da dona Leonor, pegamos as nossas bikes e equipamentos para buscar o cachorro (comida, uma rede, um mapa da cidade, garrafinhas de água, comida de cachorro, cordas e etc...).
Então após alguns minutos andando de bicicleta conseguimos localizar o cachorro, era um vira-lata pequeno, preto e com algumas manchas brancas na orelha e nas costas, encontrá-lo foi fácil mas capturar seria difícil. Então tentamos a estratégia de captura mais simples, “chegar perto do cachorro, fazer pisiu-pisiu e pegar ele!”
A estratégia não deu muito certo, ao perceber as intenções do meu amigo o cachorro saiu correndo (nunca vi um cachorro correr tanto). Saímos atrás do cachorro em disparada, tentamos laçar o cachorro ao estilo cowboy mas ninguém ali já havia laçado algo na vida, a única coisa que conseguimos com isso foi um tombo, o Rodrigo deixou a corda enrolar na roda fazendo com que a roda travasse e levando o Rodrigo ao chão.
Seguimos o cachorro por ruas e mais ruas e fomos parar num mato fechado, lá o negocio ficou tenso. Descemos das bikes e seguimos o cachorro a pé mesmo, o infeliz do cachorro atravessou um riacho, passou por uma área lamacenta e por um lugar com plantas que davam coceira(que cachorro fdp), por fim ele se escondeu em um buraco. Tivemos uma pequena briga para decidir quem iria colocar a mão no buraco para pegar o cachorro e levar umas mordidas, como sempre eu fui o escolhido.
Consegui pegar o cachorro e levamos o cachorro a sua dona, Lea achou estranho o nosso estado deplorável (achou que a gente era mendigos). Ela nos agradeceu muito e nos pagou com balas.
- Mas tia e o dinheiro que estava prometido no cartas?
- É que eu gastei em compras, alem do mais, se eu der dinheiro vocês usar eles para comprar drogas.
Ficamos muito desanimados, mas não deixamos por isso mesmo, no outro mês seqüestramos o cachorro e exigimos uma recompensa...

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A bengala amaldiçoada

Na enfermaria de meu colégio havia uma bengala centenária, que foi deixada ali por alguém a pelo menos três décadas, essa bengala era o objeto de várias historias ligadas a superstição e assombrações... Uns diziam que a bengala havia aparecido do nada na escola, outros diziam que ela pertenceu a um aluno manco que foi morto pelos colegas de turma, diziam também que a bengala era de um dos antigos diretores do colégio...

Mas a maior superstição que rondava a bengala era que o infeliz tocasse na bengala quebrava um osso. Todos que tocaram na bengala quebraram alguma parte do corpo em menos de uma semana, vou repetir para dar ênfase “todos que tocavam na bengala, eu disse todos, quebravam alguma parte do corpo”.

Era sério, ninguém se atrevia a tocar naquela bengala (nem mesmo as tias da limpeza ou as enfermeiras que trabalhavam ali), os mais corajosos faziam apostas com seus colegas de turma, encostavam na bengala e no final eles sempre ganhavam um osso quebrado.

Eu fui um dos que aceitou a aposta de encostar na bengala, no começo eu pensei que a aposta seria entre eu e meus amigos, mas vários alunos de varias salas entraram na aposta.

Arrumei uma doença e fui parar na enfermaria, enquanto a enfermeira procurava o termômetro eu escapuli e toquei na bengala que estava jogada em um canto da sala. Senti um arrepio ao fazer isso, mas também não senti mais nada. Primeiro e segundo dia foram de boa, nada aconteceu de estranho e eu nem cheguei perto de me quebrar, no entanto... no terceiro dia eu levei um susto enorme, enorme mesmo!!! Estava andando pela calçada do meu bairro quando vejo um carro na minha frente perder o controle, ele foi para um lado, depois derrapou para o outro lado e veio para cima de mim com tudo. A minha reação foi pular bem alto, saltei muito algo, acho que nunca havia pulado tão alto na minha vida, deu para ver a frente do carro passando por baixo de mim. Levei um baita tombo, ralei a minha mão e ganhei uma baita marca roxa na perna esquerda... na hora eu me lembrei da bengala que havia tocado a uns dias e novamente senti aquele calafrio.

No dia seguinte um caminhão passou por mim e uma ripa de madeira caiu de cima dele, a ripa passou a dois dedos de minha perna esquerda ( levantei a perna antes da ripa bater em minha perna ). Passei o restante dos dias em casa sem fazer nada, com medo de algo acontecer. Mas após isso o máximo que aconteceu foi um tropeção em uma pedra (novamente envolvendo a perna esquerda).

Na semana seguinte, lá estava eu levando os parabéns de toda escola por ter sobrevivido uma semana sem quebrar nenhum osso, muita gente acabou perdendo a aposta e eu enchi o bolso de dinheiro... todo feliz fui descer pela escada para comparar algo na cantina, quando dois guris pequenos passaram correndo atrás de mim (quando eu estava na ponta da escada, preste a descer o primeiro degrau), um deles esbarrou nas minhas costas e me fez perder o equilíbrio e o resultado não foi outro, cai igual a uma jaca madura daquela escada, rolando desci cada degrau daquela escada.

- Quebrei a perna!!! Alguém me ajuda!!! (gritei lá de baixo)
Meus amigos vieram correndo, mas não para me ajudar:
- Meu devolve o dinheiro, você perdeu a aposta... (disse um deles, e isso porque é meu amigo)
- Devolvo o car#$$%$¨%&!@#@$ , a aposta foi que eu ficaria ileso por uma semana, já passou essa semana, quebrei a perna depois que a aposta acabou, então eu fico com o dinheiro caraio...

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