Historia do cão Rabinha


Em todo condomínio tem aquele cão chato, que late nas horas mais impróprias (no meio da noite principalmente), que faz as necessidades onde não deve, para resumir, o cão que inferniza a vida dos vizinhos. No meu condomínio não podia ser diferente, lá tinha um pincher muito do piquinininho (tão pequeno que cabia na palma da mão ) chamado Rabinha, ele podia ser pequeno, mas as confusões que ele arrumava eram de cachorro grande. Alem de latir nas altas horas da noite, o Rabinha tinha costume de fazer xixi nos tapetes que ficavam na frente das portas de cada apartamento, ele também adorava se meter em brigas com cachorros maiores (tenho que admitir, o Rabinha era valente, pena que ele sempre apanhava dos outros cachorros), outro robie dele era de morder as criancinhas no pátio do condomínio, mas a coisa mais bizarra era a taradisse do cachorro, o Rabinha não podia ver algo que ele gostasse, que logo ele começava se atracar com aquela coisa (isso inclui arvores, penas de pessoas, brinquedos, crianças ...). Por esses e por outros motivos a maioria dos moradores não gostavam daquele cachorro.
“E a dona nunca tentou dar um jeito nesse cachorro?” A resposta para essa pergunta é “NÃO”. Dizem que foi a dona que o ensinou a mijar nos tapetes do vizinhos, ela também incentivava a taradisse do cão dando bichinhos de pelúcia para o cachorro se atracar, para ajudar ela tomava remédios ante-depressivos e remédios para dormir (ela não batia bem da cabeça tadinha), então por estar desmaiada não ouvia os latidos noturnos do cachorro dela.
Eu nunca dei bola para os problemas que aquele cão causava, como o meu bloco ficava de um lado do condomínio e o bloco onde o Rabinha morava fica no outro lado, eu não me incomodava com os problemas que o Rabinha causava, na verdade uma vez ele me incomodou: “ eu estava andando pelo condomínio, quando vejo uma roda de mulheres que diziam: ‘ai que meigo; que fofo; que gracinha; ai lindinho...’ então eu fiquei curioso e entrei no meio da roda para ver do que elas estavam falando, honestamente eu deveria ter ficado com a curiosidade e não ter entrado no meio da roda, ao entrar no meio eu vi uma das coisas mais bizarras que eu já vi em minha vida (e olha que eu já vi muita coisa bizarra), estava lá o Rabinha acasalando com uma boneca de pano, mas o pior mesmo era a cara de excitação do cachorro e os gemidos do cachorro, aquilo foi tão impactante que eu passei a noite sem dormi” (ate hoje eu penso, oque era mais estranho, o fato do cachorro esta fazendo coisas com uma boneca ou o fato de uma platéia feminina estar olhando e achando bonito?).
Apesar desse “susto” eu nunca me incomodei com o cachorro, porem o meu amigo Carlos que era vizinho do cachorro vivia reclamando das vezes que ele acordava no meio da noite com os latidos do Rabinha, ou das vezes que ao sair de casa ele pisava no coco que o cachorro acabara de fazer em sua porta, ou das vezes que o cachorro destroçava as flores de um vazo que ficava ao lado da porta do apartamento dele (era a mãe dele mesmo que vinha ate ali só para cuidar das florzinhas). Ele estava tão puto com o cachorro que ele resolveu dar um sumiço no cachorro, ele ate me chamou dizendo que não iria machucar o bicho (mesmo porque ele não tinha coragem), mesmo assim eu recusei ajuda-lo, afinal eu não iria me sentir bem fazendo mal ao cachorrinho. Então ele resolveu dar sumiço no Rabinha sozinho mesmo, ele aproveitou um dia que o cachorro estava passeando pelo pátio sem dono, pegou o cachorro e o colocou no carro e então o levou para a Serraria (um bairro que fica a mais de 25km de onde eu morava) e o deixou lá. Quando o Carlos me contou a historia, eu fiquei com pena do Rabinha, mas pena mesmo eu fiquei ao ver a dona aos prantos e barrancos por causa só cachorro, ela estava desesperada procurando o Rabinha, saia chorando para distribuir cartazes de procura-se pela vizinhança e voltava chorando para o apartamento dela. No entanto cinco semanas depois aparece o cão na porta do condomínio, ele estava magro e com as patas esfoladas de tanto andar, quando a dona o viu ela ficou tão contente que pegou o cão e fez um tipo de volta olímpica pelo condomínio.
Umas duas semanas depois, estava eu andando ate o meu apartamento, quando eu sinto um peso estranho em minha perna, parei e olhei para baixo, para minha surpresa lá estava o cão Rabinha acasalando com a minha perna. Ao ver a cara de orgasmo do cachorro e os gemidos dele eu entrei em desespero, comecei a balançar a minha perna para todos os lados para ver se aquele cão desgrudava, mas quanto mais eu balançava a perna, mais ele gostava de ficar ali, então eu ouvi a dona dele : “- ai que fofo, ele gostou de você!!!”, daí eu pedi para ela tirar ele dali, mas ela nem ligou, então o sangue subiu fervendo para minha cabeça e eu fiz aquilo que qualquer pessoa normal faria em meu lugar, com a perna livre eu afastei o Rabinha da minha outra perna e quando ele ameaçou voltar para a minha perna, eu dei um baita chute que fez o cão avuar para longe, vendo isso a dona do rabinha se enfureceu comigo “- para que fazer isso com o pobre animal, ele só estava demonstrando amizade a você!” e eu respondi “-porque você não deixa ele demonstrar amizade no meio das pernas de tua mãe!!!”, esse foi apenas o começo da briga que durou mais de uma hora, agora tu imagina se o começo estava assim (afinal estava apenas me aquecendo), imagine o final, eu coloco nenhum pedaço do final da briga porque ficou muito pesado mesmo e eu não estou afim de transformar esse blog num putaria (bom alem que tem muita porcaria aqui, mas ainda não se transformou numa putaria).
Depois desse episodio, eu me juntei ao Carlos na tentativa de dar um fim no cachorro, a primeira tentativa foi um estilingue que a gente fez usando câmaras de bicicleta e duas arvores, com esse estilingue nós lançamos o cachorro (nunca vi um cachorro subir tão alto em minha vida) para dentro de um terreno baldio que ficava nos fundos do condomínio, esse terreno era cercado por muros de quase três metros e não tinha nenhum portão (diz a lenda que o dono desse terreno tinha medo que os sem terra invadisse o terreno dele, então ele mandou cercar toda a área para não correr o risco de invasão), dali ele não poderia escapar, bom foi isso que a gente pensou ate que no dia seguinte o cachorro apareceu com uma das patas quebradas na porta do condomínio. Fiquei impressionado ao saber que o rabinha tinha voltado, como aquele cão saiu daquele lugar sem saída? Depois disso, nós tentamos dar o fim naquele cão de todas as formas: demos veneno para ele, mas com duas semanas ele estava curado; depois colocamos ele no meio de uma avenida movimentada, mas de tão pequeno, os carros passavam por cima dele e nem relavam nele; também tentamos jogar ele de cima de um prédio, mas isso também não deu certo. Estávamos desistindo, quando numa noite um vizinho surtado (se você quiser saber porque ele estava surtado procure ali no “ baú de historias 4” e leia a historia da tv gigante) jogou uma tv de 52 (daquelas antigas, que pareciam um caixotão) de seu apartamento, no exato momento que o vizinho surtava lá de cima do apartamento dele, o Rabinha estava dando uma volta pelo pátio do condomínio e para o azar do rabinha ele estava passeando bem embaixo da sacada do cara que tava surtando. A televisão caiu bem em cima do Rabinha, a tv esmagou o cachorro que nem você esmaga pernilongo na parede, ate ficou aquela rodinha de sangue em volta. Ao saber da noticia o Carlos ficou bem decepcionado, quando eu perguntei para ele porque ele estava daquele jeito ele me respondeu “- Poxa vida! Tivemos tanto trabalho para nada, se eu soubesse antes que era só atacar algo pesado na cabeça dele eu já tinha feito isso!!!”.

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Piroba e Pereba


Na minha cidadezinha não havia muita coisa a se fazer, ou você ia a uma lanchonete ou tu ia ao bailão do Tio Parmera que acontecia todo sábado a noite, essas duas opções eram as únicas coisas que haviam para distração, então quando um circo chegava era o maior festa já que o circo era algo que mudava a rotina daquele povo. Eu nunca gostei muito do circo, primeiro eram sempre as mesmas apresentações, era o mágico fazendo mágica, o malabarista jogando as coisas para o alto, o equilibrista se equilibrando e etc etc etc..., segundo eu nunca achei graça nos palhaços, nunca gostei e também nunca vou gosta, terceiro e ultimo eu odiava os domadores de leões, grandes bosta enfrenta um leão sem dentes e sem garras (os donos de circo normalmente arrancam os dentes e as garras dos leões), ate eu que sou um cagão enfrentaria um lea,o que não pudesse se defender.
Vira e mexe aparecia um circo na minha cidade, eu era um dos poucos que não ia, sempre tinha alguém que enchia os meus bagos para que eu fosse, no entanto ninguém nunca conseguiu me convencer a ir para o circo, daí um dia apareceu um circo enorme em minha cidade (diziam que era o maior que já tinha vindo a nossa cidade), ele tinha algumas atrações que ate então nenhum circo tinha apresentado igual, alem de um gorila esse circo tinha elefantes, um homem que era lançado por um canhão, ele também tinha um show de bizarrices (mulher barbada, lobisomem, um saci, uma vaca empalhada de duas cabeças etc). Quando as pessoas viram aquele circo, ficaram doidas para conseguir um ingresso para ver aquele circo gigante. Eu me lembro que no dia seguinte a chegada desse circo formou-se uma fila gigante que dava volta em três quarteirões, quase todos daquela cidade estavam ali, inclusive pessoas de minha família, meu pai, minha mãe e o meu avô passaram três dias se alternando na fila do circo só para comprar ingressos para toda a família, e no terceiro dia eles conseguiram ingresso para a quarto dia de apresentação, e iria haver 6 dias de apresentação.
No dia de ir para o circo eles inventaram de me arrastar junto a eles para o circo, meu pai argumento “eu paguei uma cara nesses ingressos, para toda a família ir!!!” e minha mãe falava “vamo filho desse circo tu vai gosta, ele tem um monte de coisa novas”. Eu bati o pé e disse que não iria mover um músculo para sair dali, mesmo assim eles me levaram ao circo, bem eu não mexi nenhum músculo mesmo, foram eles que me arrastaram ate o circo.
Alem do circo ter algumas coisas diferentes, eu continuei a achar o circo sem graça, o negocio tava tão sem graça que eu passei o começo ate o fim do espetáculo sem dar uma boa risada, mas o espetáculo já estava acabando, eu fiquei aliviado ao ouvir que a ultima atração já iria se apresentar. A ultima atração era a mais esperada por todos que estavam ali, então entra em uma entrada triunfal, com direito a fumaça de gelo seco, os palhaços Piroba e Pereba a bordo de um fusca todo colorido.
Os dois palhaços ficaram lá fazendo oque eles fazem de melhor, palhaçadas, daí no meio da apresentação eles deram uma pausa e falaram para o publico “ vamos contar diversas piadas e aquele que não der nenhuma risada, nos vamos o trazer aqui na frente para participar do show”, então eles começaram a contar as piadas sem graça, para falar a verdade a única coisa que tinha graça naqueles palhaços era que eles pareciam estar bêbados, mas do resto eram uns palhaços sem graça pra caramba. Enquanto os palhaços contavam as piadas, muitas pessoas tentaram segurar o riso para ir lá no picadeiro participar daquela apresentação, no entanto apenas uma pessoa fico sem dar risada, quem você acha que fico lá assistindo aquela babaquice sem rir? Isso mesmo, eu!!!!
Depois de terminado de contar o seu repertorio de piadas, o palhaço Piroba veio ate mim e me puxo pelo braço ate o picadeiro, eu ate tentei não ir, mas o filho da mãe do palhaço praticamente me arrastou ate o picadeiro lá eles disseram que eu era muito ranheta e que eles iriam me fazer rir. Estava cercado, o Piroba estava a minha esquerda e o Pereba a minha direita, mas uma coisa deu para perceber enquanto estava perto dos dois palhaços, foi que eles não pareciam bêbados, estavam bêbados mesmo, enquanto os palhaços falavam umas baboseiras eu tentava achar uma maneira de escapar daquela roubada, o palhaço Pereba pegou uma torta que estava em uma mesa atrás de mim e a atacou em minha cara, ao mais puro estilo “Matrix” eu joguei o meu corpo para trás e desviei da torta que passou a um milímetros de mim e acertou em cheio a cara do Piroba, daí o palhaço Piroba surto e começou a gritar ao Pereba:
- Teu asno, era para você acerta no otário aqui e não em mim!!!
- A culpa não foi minha, ele que desviou!!!
- Deixa eu te mostra como se faz direito.
Daí ele pego uma outra torta e atacou em mim, no entanto ele estava tão bêbado, que me confundiu com o outro palhaço e acerto a torta na pança do palhaço pereba:
- Porra Piroba! Você esta cego seu infeliz.
- Não foi ele que desviou de novo!!!
- Vamo faze o seguinte, eu seguro ele e tu acerta uma tortada na cara dele(disse o Piroba).
E como o combinado o Piroba me segurou e o Pereba pego a torta, mas eu fui mais esperto que eles, peguei uma torta e ataquei na cara do Pereba com toda a minha força, ( enquanto isso as pessoas que estavam assistindo se matavam de rir), já no Piroba eu dei uma cotovelada na pança dele e sai correndo para longe deles, os palhaços ate tentaram me perseguir mas como eles estava bêbados eles nem chegaram perto de mim, então eles tiveram uma idéia, entraram dentro do fusca e começara a me persegui de fusca, nessa hora eu me caguei de medo com a hipótese de ser atropelado por um fusca guiado por dois palhaços bêbados, então eu comecei a correr em todo picadeiro, com os palhaços sempre me perseguindo, enquanto eu corria eu vi em minha frente uma das rampas que os motociclistas usaram em seu show, então eu tive uma idéia “vou me esconder em baixo de uma dessas rampas” , então eu corri ate uma das rampas e entrei no meio das armações de ferro que a sustentava, enquanto isso os palhaços vieram a mil por hora em seu fusquinha colorido e fizeram uma cagada cinematográfica (aquela que você só vê em filmes), ao me persegui os palhaços bêbados passaram com apenas as rodas do lado esquerdo do carro em cima da rampa, não deu outra, o carrinho levantou vôo, virou de cabeça para baixo e se estatelou no chão.
O publico estava adorando aquilo, eles achavam que tudo fazia parte do espetáculo, quando o carrinho levantou vôo e caiu, não teve uma pessoa na platéia que se levantou rindo para aplaudir, então os dois palhaços saíram se arrastando do fusca, o Piroba estava ate sangrando, mas mesmo naquela situação eles não desistiram de me pegar, então o palhaço Pereba foi ate a jaula do leão, a abriu e disse para o leão:
- Astolfo pega aquele garoto maldito!!!
Então o leão saiu da jaula, deu alguns passos em minha direção, enquanto isso eu fiquei ali paralisado rezando enquanto o palhaço gritava ao fundo “- pega ele, distrunxa ele, acaba com ele!!!”, mas então eu presenciei uma cena que nunca mais vou esquecer, o leão parou no meio do caminho e olhou para o palhaço Pereba, depois ele olhou para mim e retornou a olha para o Pereba, olhou de novo para mim e olhou para o Pereba de novo e desta vez ele não parou de olha o Pereba, então ele se virou para o Pereba e saiu em disparada e deu um bote no Pereba que começou a gritar “- ai meu Deus!!! Alguém me ajude!!! Socorrooo!!! Socorrooo!!!”. A ouvir os gritos do Pereba o pessoal do circo viram em massa para socorrer o palhaço, enquanto isso o publico se matava de rir e aplaudia sem parar, já eu aproveitei e sai dali do circo de fininho e fui direto para casa. Meus pais chegaram todos orgulhosos em casa, minha mãe não parava de repetir “ que orgulho!!! Meu filho é um astro de circo”, meu pai e meu avô não paravam de me parabenizar, ate tentei o que realmente havia acontecido mas nenhum deles acreditaram em mim. No dia seguinte o circo havia sumido, muitas pessoas que haviam comprado ingressos para as outras apresentações seguintes ficaram putos da cara com o sumiço do circo (afinal eles pagaram uma nota preta pelos ingressos e não puderam ver o espetáculo). Depois desse dia eu nunca mais cheguei perto de circo nenhum, já o circo do Pereba e do Piroba nunca mais voltou em minha cidade, ate hoje não se sabe o motivo correto do abandono repentino do circo de nossa cidade.

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Historia do jumento



Um belo dia!!! Estava eu no térreo do condomínio acompanhando a minha mãe numa vistoria de rotina, enquanto ela trabalhava, eu ficava olhando ela trabalhar, de tanto olhar ela trabalhar fiquei entediado de olhar ela trabalhar e comecei a olhar a criancinhas se matando, as vizinhas fofocando, os velhos brigando, uma homem e um jumento entrando no condomínio... “Opa que isso? Se eu não me engano aquele com o jumento é o meu pai? (pensei comigo mesmo)”, olhei com mais atenção torcendo para aquele não fosse meu pai, mas para o meu desespero era o meu pai mesmo, eu estava pressentindo que aquilo não iria acabar bem, esse pressentimento aumentou quando a minha mãe viu ele com o jumento, ao ver um jumento dentro do condomínio, ela soltou fogo pelas ventas e foi tirar satisfação com o meu pai:
- O que você esta fazendo aqui dentro do condomínio com esse burro?
- Burro não! Isso é um jumento!
- Burro ou jumento é tudo a mesma merda! Mas já que é difícil para você compreender isso, vou ajeitar a pergunta para você. Porque que o burro esta trazendo um jumento por uma corda para dentro desse condomínio?????
- Calma mulher!!! Eu vou te explicar, o meu companheiro o Jão, foi viajar e não tinha com quem deixar o jumentinho, daí eu me ofereci para cuidar do jumento enquanto ele estiver viajando.
- E onde você pretende deixar esse jumento?
- Aqui pelos bosques do condomínio, ele é mansinho, vai ser muito bom para as crianças interagir com o animal.
Meu pai jogou um lero-lero nos ouvidos de minha mãe, e acabou a convencendo de deixar o Dagoberto (era como o jumento se chamava) ficar uma semana no condomínio, mas em troca o meu pai se responsabilizou pelo animal. Já no primeiro dia o jumento Dagoberto começou a dar problemas, o primeiro foi que o bicho era muito cagão, para todo lugar que ele ia ficava um monte de bosta, teve uns loucos desocupados que decidiram fazer uma media das cagadas do Dagoberto, após um dia todo seguindo e observando o jumento( para você ver como eles eram ocupados), eles chegaram a conclusão que o Dagoberto cagava em intervalos de 30 a 40 minutos.
Como meu pai tinha se responsabilizado pelo Dagoberto, sobrou para ele a tarefa de limpar as cacas que o jumento fazia, mas como ele era (e ainda é) muito preguiçoso, sobrou para mim catar as cacas que o jumento fazia, mas isso durou ate a minha mãe me ver catando os coco do bicho:
- Muleque o que você esta fazendo?
- O pai me obrigou a catar as merdas do Dagoberto.
- Mas o seu pai não é mais preguiçoso por falta de bunda molice, parece ate baiano!!!
Então ela retirou a pá e o balde de minhas mãos, subiu ate o nosso apartamento, pegou o meu pai pelas orelhas e o arrastou ate embaixo e o fez catar as melecas do Dagoberto. Mas se a caganeira fosse o único problema causado pelo bicho não haveria tanta dor de cabeça, o problema era que alem de se um cagão o Dagoberto tinha cisma de carro vermelho, ele não podia ver uma carro vermelho que ele ficava doido, saia galopando ate o carro e começava a dar coices na lataria do carro ( por causa dessa cisma ele amassou dos carros do condomínio), mas ele arranjou problemas mesmo quando ele deu um coice um num velhinho, daí a coisa ferro mesmo, vários moradores ligaram para a minha mãe (que era a sindica) para reclamar dos corridões que eles levavam do jumento.
Após quatro dia o Dagoberto arranjou tanta encrenca que ele foi expulso do condomínio, então meu pai teve a brilhante idéia de levar o jumento para passar o resto da semana dentro do nosso apartamento, ele fez isso sem pedir a opinião ou permissão a ninguém, quando a minha mãe viu o jumento dentro do apartamento, ela quase entrou em coma de tanta raiva que ela ficou. Daí foi aquela discussão por causa do jumento, meu pai queria deixar ele por mais três dias ate que o amigo dele chegasse, já a minha mãe queria o Dagoberto em qualquer lugar menos lá em casa, mas como bom vendedor que o meu pai era (diziam que ele era o melhor vendedor da cidade) logrou a minha mãe e conseguiu a permanência provisória do burro não apartamento.
Você deve se lembrar que o Dagoberto era meio cagão, então depois que ele foi para o apartamento, parece que ele fico mais cagão ainda, por causa disso eu, meu pai, meu irmão e a minha mãe nos revezávamos em segurar uma bacia na poupança do jumento para qualquer lugar que ele fosse, sempre tinha um de nos atrás dele segurando a bacia para que na hora que ele cagasse a merda não caísse no chão. Mas engenhoso como eu sou, logo inventei uma maneira para driblar o problema, eu amarrei um balde na bunda dele, para que na hora que ele fosse dar uma cagada, as porcarias caíssem dentro do balde, e isso deu certo o único problema era que sempre tinha que esvaziar o balde. Dentro do apartamento o Dagoberto desenvolveu alguns costumes estranhos, alem dele seguir o meu irmão para todo lugar que ele fosse, ele tinha o costume de deitar no sofá para assistir tv, alem também que ele sempre acordada todos na casa a lambidas. Por causa disso e de outras coisas, quando o Dagoberto volto para o dono foi um alivio tremendo, mas duas semanas depois apareceu o Jão trazendo o Dagoberto para fazer uma visita para nos, ele disse que o pobre jumento tava com saudades de nós.

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O vizinho macumbeiro


Quando você mora em condomínio, você vê muitos vizinhos irem e outros virem, a sempre alguém se mudando do condomínio. Havia um apartamento vizinho ao meu, que o dono o alugava, o dono desse apartamento tinha vários imóveis alugados pela cidade e era da renda dos imóveis alugados que ele vivia.
Nunca parava gente naquele apartamento, todo ano eu tinha um vizinho novo, um desses vizinhos que eu tive foi um negão bem gordo e alto que era macumbeiro, ele era conhecido como Zuribunfi, esse cara teve a manha de transformar o apartamento dele em um terreno de macumba. Eu no começo eu ate achei a idéia de ter um vizinho macumbeiro morando ao meu lado uma coisa legal, mas com o passar do tempo eu mudei completamente de idéia e comecei a odiar ter um vizinho macumbeiro, não que eu tenha algo contra ele ser macumbeiro, ou algo contra a religião e as crenças dele, modéstia parte eu nunca tive preconceito contra ninguém, eu me dava bem com todo mundo, eu era amigos de negros a brancos, de macumbeiros ate os evangélicos perturbados. O problema desse vizinho era o barulho que ele fazia nas madrugadas, tinha vezes que era os batuques dos tambores, outras vezes era quando ele falava em voz alta o suficiente para eu ouvir tudo certinho do que ele falava, era mais ou menos isso que eu escutava “- ooo misifim, vamo leva essa alma perdida para alem do mundo dos mistérios, vamo acaba com a capetagem que esse espírito endemoniado esta causando na vida miserável dessa pessoa que esta conosco hoje”, outras vezes era os rituais para os maridos puladores de cerca “- vamo chama o espírito do Jabum para embroxa o marido galinha dessa perdida, ele veio nos procura com dor de corno causado pelo marido galinha dela, agora nois vai da um jeito nisso,vamo faze um trabalho para o marido dessa mulher perdida, apartir de hoje ele só vai levanta para ela, e com outras ele vai embroxa e não vai levanta nem com reza da brava”. Havia algumas noites que eu acordava com o Ziribunfi sacrificando cachorros, dava para ouvir os grunidos dos bichinhos sendo sacrificados de longe, tinha mais umas coisas que aconteciam que eram muito estranhas, como quando o Zuribunfi fazias umas reza tão brava que tremia o apartamento, ou das vezes que a gente sabia que ele estava sozinho e mesmo assim ouvíamos ele e outras pessoas discutindo dentro do apartamento dele.
Eu não era a única pessoa que acabava acordando de noite com os barulhos vindos de lá, outros vizinhos também acordavam e ouviam oque acontecia lá dentro do apartamento. Eu fui o primeiro a ir falar com o Zuribunfi, fui na paz e ele me recebeu na paz.
- Oi tudo bem, eu sou seu vizinho do daqui do lado e queria saber se o senhor teria um tempinho para falar comigo.
- Tenho sim criança, pode falar.
- Na verdade eu queria fazer um pedido, eu só vim te pedir para fazer um pouco menos de barulho de noite, muitas vezes eu acordo com os barulhos dos tambores e com os gritos dos cachorros e isso ta me prejudicando na escola.
- Ah criança, Zuribunfi pede desculpas, não sabia que o barulho tava tão alto, Zuribunfi promete fazer menos barulho possível de noite...
Agradeci a atenção dele e fui embora, mas esse papo não adiantou muito, ele continuou fazendo barulho e para ajudar ele começou a sacrificar gatos, daí a vizinhança perdeu a paciência e foi reclamar para a sindica que por algum acaso também era a minha mãe, daí ela foi obrigada a ir falar com o Zuribunfi (obrigada mesmo, já que ela morria de medo de tudo que envolvia macumba). Ela foi falar uma, duas e três vezes com o homi, mas isso não adiantou em nada, então ela começou a mandar advertências para ele e depois multas que de nada adiantaram, quando teve a reunião de condomínio, ela e alguns moradores quase saíram na porrada com o Zuribunfi, ela que já estava com birra do homi fico com raiva após ele ter a chamado de “cadela rabuda adestrada”. Daí o condomínio viro um puteiro de tanta bagunça que surgiu ali, teve uns crentes que foram ate a frente do apartamento do Zuribunfi e começaram a orar na frente do apartamento do Zuribunfi, daí ele saiu para fora e começou a brigar com os crentes, quando ele ameaçou jogar uma praga todos saíram correndo dali e apenas uma mulher fico ali encarando ele, daí ele rogou uma praga nela, ele disse que no dia seguinte ela iria quebra a perna, e por mais estranho no dia seguinte ela quebrou a perna mesmo. Daí ele começou a ameaçar a minha mãe que iria fazer uma macumba brava para ela se a mesma, não parasse de mandar multas para ele, no inicio ela se cago toda de medo, mas mesmo cagada ela continuou mandando multas pelo excesso de barulho, ele continuou a receber as multas e a minha mãe começou a receber uns presentinhos dele, o primeiro foi um sapo gigante morto e com a boca amarrada que apareceu na porta de nossa casa.
- Socorro João!!! (gritou o minha mãe ao abrir a porta e achar o sapo)
Quando eu vi o sapo eu fiquei puto da cara, então peguei o sapo (com a mão mesmo) e fui ate o apartamento do Zuribunfi para tirar satisfações.
- Foi você que deixou esse sapo na porta do meu apartamento? (eu perguntei a ele)
- Foi eu sim, por que?
- Por algum acaso isso não foi para a minha mãe?
- Foi sim, isso e um feitiço para ela sofrer um acidente grave!!!
- Seguinte eu tava sendo muito educado e paciente ate agora, mas se mexe com a minha mãe você mexe comigo, se você continua fazendo essas porcarias para assusta a minha mãe tu vai vir o que eh bom para tosse...
- Não vou para, e só por esse seu atrevimento eu vou fazer um feitiço para a tua mãe virar quenga.
- Ah tah sei, entendi!! você quer deixar a minha mãe igual a sua!!!
Daí ele ficou roxo de raiva e rogou uma praga em mim.
- Amanha você vai levar um tombo e vai rachar a cabeça ao meio...
Deixei ele falando sozinho e voltei para casa, quando eu contei a historia para a minha mãe ela ficou aterrorizada e quis me impedir ate de ir para a escola, mas eu disse para ela que nada daquilo iria acontecer comigo, que eu era maior que aquele tipo de macumba barata. Eu estava certo mesmo, não quebrei a cabeça ao meio e para me vingar, eu votei ao apartamento do macumbeiro e mostrei a minha cabeça para ele “- olha só macumbeiro de araque, eu não quebrei a cabeça, você é fraquinho pra caramba!”, ele voltou a jogar uma praga em mim, mas no outro dia eu voltei e mostrei para ele que não tinha dado certo a macumba que ele jogou em mim. Depois disso, a briga virou uma caça de gato e rato, ele jogava uma praga em mim e no dia seguinte eu mostrava para ele que a praga não tinha dado certo, quando a gente se crusava na rua, eu mostrava para ele que não tinha acontecido nada comigo e ele retornava a jogar uma praga pior em mim.
Uma noite eu acordei com ele preparando uma macumba brava para mim, primeiro ele gritou “ esse garoto tem o corpo muito fechado, nem reza brava ultrapassa o escudo dele, então eu te pesso (daí ele falou um nome estranho) que tu mate aquele garoto para que eu possa mostrar o meu porder, em troca eu ofereço a vida desse miserável animal ( daí eu ouvi um cachorro grunhindo e depois gritando), mate ele para mim, que eu ficarei eternamente agradecido!!!”.
Isso foi o cumulo, então eu decidi que no outro dia eu que iria rogar uma praga para ele. Estava passando na rua e o vi andando no outro lado, então passei a rua e cruzei com ele e como o de costume eu mostrei que a praga dele não tinha funcionado, daí antes que ele pudesse jogar outra praga eu falei para ele:
- Se você pensa que é o único macumbeiro aqui, tu esta esganado, eu não queria revelar mas depois que o meu protetor me avisou que tu esta fazendo trabalhos para a minha morte eu resolvi me manisfestar, eu também possuo o dom da magia e da comunicação com os mortos, eu sou um macumbeiro muito mais poderoso que você possa imaginar!!!
- Há há há há há!!! Não me faça rir, há há há há há!!!
- Se você não quer acreditar muito bem, mas eu devo te lembrar que nenhuma de suas pragas fez efeito, isso porque o meu poder é muito maior que o seu, mas agora é a minha vez de te rogar uma praga, te garanto que a minha vai concertasa se realizar.
- Pode vim, duvido que você faça alguma coisa contra mim!!!
- Primeiro você vai perder a sua fonte de renda, depois varias explosões vão acontecer em sua casa e por ultimo você vai sofrer um acidente!!!
Ele seguiu o caminho morrendo de tanto rir, mas ele nem imaginava o que eu tinha preparado para ele. Se acaso você deve estar pensando que eu sou macumbeiro também, você esta enganado, eu só me fiz de macumbeiro, ao contrario dele que jogava as pragas e ficava esperando acontecerem, eu iria fazer as minhas pragas acontecerem. Primeiro foi corta a fonte de renda dele, isso foi ate fácil, eu só pedia para o porteiro (que alias era muito meu amigo) dizer para os clientes do Zuribunfi que a policia estava no apartamento dele o interrogando sobre o assassinato de uma criança, ela para ele dizer também que os policiais estavam desconfiados que o Zuribunfi usou a criança para um ritual e que era para os clientes não subirem lá se não a policia poderia envolver eles e ate que eles poderiam ser presos, ao ouvirem isso as pessoas ficavam muito assustadas e nem insistiam em querer subir, daí o porteiro indicava um outro térreo de macumba para os clientes do Zuribunfi (pedi para o porteiro dizer que lá eles curavam ate câncer), ao ouvirem que lá curavam ate câncer, eles davam meia volta e iam direto para o outro terreiro. Assim passou duas semanas e o porteiro conseguiu que ninguém subisse ate o apartamento do Zuribunfi, depois eu tive que fazer as coisas no apartamento dele explodir, isso também foi fácil, de noite foi só levar um amigo meu, que entende tudo de elétrica, ate uma central por onde toda a fiação eletrica do prédio passava, ali ficava os relógios de luz de cada apartamento, daí ele fez uma gambiarra e ligou dois fios ao disjuntor do apartamento do Zuribunfi, na mesma hora a luz do bloco inteiro se apagou e todos os aparelhos elétricos e as lâmpadas do apartamento dele que estavam ligadas, sofreram uma sobrecarga de energia e explodiram ao mesmo tempo. Então chegou a vez de realizar a quarta praga, essa também foi relativamente fácil, eu amarrei um fio de pesca perto do pé do corrimão, depois levei o fio por baixo da porta do meu apartamento e fiquei espiando pelo olho mágico se o Zuribunfi saísse de casa, quando ele saiu foi descer as escadas eu puxei o fio, daí ele tropeçou no fio e desceu rolando as escadas.
Quando ele voltou do hospital (alias ele voltou todo arrebentado) eu fiz questão de rogar uma outra praga nele, só que essa eu não iria cumprir era apenas para assusta-lo. Então quando eu o vi eu fui para perto dele e roguei a praga:
- se você não sair do condomínio em duas semanas, um fogo enorme vai cozinhá-lo por dentro ate que a sua morte chegue.
Ele arregalou os olhos e saiu de fininho, a minha intenção era que ele assustado se mudasse dali em duas semanas, mas nem precisou de muito tempo, dois dias depois ele já estava em outro apartamento bem longe dali.

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