É logo ali

  Historia enviada pela leitora do blog Emilyn

Há um tempo atrás, quando eu tinha uns 12 anos, fui para o sítio do meu avô. Nunca gostei muito de ir pra lá porque nunca tem muito que fazer . Mas enfim, uma das poucas coisas que se tinha pra fazer era dar passeios e conhecer cachoeiras. Não sei de onde veio a idéia, mas se reuniram várias pessoas da minha família e uns conhecidos para conhecer um sítio que estava pra vender, onde tinha uma cachoeira linnnnda (sítio é modo de dizer, era totalmente inacessível, um terreno no meio do nada) mas por falta de opção eu fui junto.

Primeira parte do passeio é chegar até as pessoas que sabem como chegar na cachoeira, tudo bem uns 20 minutos de carro sacolejando em estrada de chão, perfeito!

Chegamos a esses vizinhos que nos levariam por horas mata adentro de boa vontade só por amizade (pessoas no interior fazem cada coisa). Eles trabalhavam em uma roça que fica na metade do caminho então não seria muita coisa pra eles.

Começamos a caminhada e entramos na mata, até aí tudo bem, tinha uma trilha até que aceitável, pensei que o caminho seria todo fácil, a final eles tinham até uma criança de colo com eles (é, eles levaram a família toda!).

A princípio não marquei o tempo porque o caminho estava tranqüilo, mas passou sei lá, 1 hora e nada de cachoeira, e o caminho começou a ficar com mais obstáculos e comecei a me perguntar se o cara levando a criança de colo não estava cansado!

Foi ai que comecei a perguntar quanto faltava. E a resposta foi “é logo ali!”.

Agora me deixe explicar uma coisa, eu sou uma pessoa de cidade e gosto de tudo que tem na cidade, ruas movimentadas e barulhentas, shoppings, poluição e tudo mais e o mais importante, quando eu digo “é logo ali” eu quero dizer na próxima quadra ou, no máximo, duas quadras adiante!!!

Mais meia hora e chegamos a um campo aberto e inclinado, então fiquei sabendo que essa era a roça em que eles trabalhavam (sério, eles levavam uma hora e meia para ir trabalhar) e esse era o meio do caminho!!!

Depois disso o caminho piorou de vez. Trilha praticamente não existia, era mato mesmo, inclinado em um ângulo absurdo, algumas partes tivemos que descer sentados, fora quando não escorregávamos sentados, tinha muita lama.

E era sempre “é logo ali”.

Descemos quase uma hora (já estava ficando com uma certa preocupação com o caminho de volta) e finalmente chegamos a cachoeira!! Que não tinha nada de especial, não chovia há algumas semanas então não tinha muita água. Onde estávamos mal tinha uma queda d’água de 4 metros! Permanecemos apreciando a vista da cachoeira vazia por impressionantes 15 minutos. E começamos o caminho de volta.

Bom, é óbvio que não era só eu que estava preocupada com a volta, minha família toda é da cidade, não somos preparados para rápidos passeios de 5h (já que levamos uma 2 horas e meia para chegar, em nossa visão de pessoas da cidade deveríamos levar o mesmo tempo para voltar) então fomos informados que como para voltar temos que subir tudo que descemos (lembra que descemos sentados?) demoraria “um pouquinho mais”.

Agora sabe a definição distorcida de “logo ali”? “Um pouquinho mais” tem a mesma lógica!!

Eles então disseram que havia um atalho, e mais que depressa aceitamos o caminho alternativo.

Pegamos um caminho meio que na diagonal para evitar as partes íngremes, e lá se foram mais 2 horas de caminhada (ou escalada). Até que chegamos a um sítio abandonado, e eu pensei que havíamos chegado! Mas, não. Esse era o atalho, passar pelo terreno dos vizinhos, invadindo a propriedade alheia (já disse que gente do interior faz cada coisa!!) e não era uma propriedade só, passamos por umas três propriedades vazias até chegar na estrada. Finalmente a estrada! Ficamos todos felizes pelo primeiro sinal de civilização, a final se não tivéssemos mais forças para prosseguir eventualmente um carro iria passar. E então foram mais uns 40 minutos de “é na próxima curva” (que tem a mesma lógica de “é logo ali” e “um pouquinho mais”), juro que não vi nem um carro passar por nós. Sério, na àquela hora não me importei nem um pouco com quem estava carregando a criança esse tempo todo, mas refletindo mais tarde não lembro deles na parte da estrada...

Enfim, quando finalmente chegamos no carro, todos suados, sujos, cansados e com fome, pensei que nunca mais iria cair na furada de um passeio/ GPI (Grande Programa de Índio), é claro que eventualmente isso aconteceu de novo...

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